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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Ângela Leite Lopes

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Ângela Mousinho Leite Lopes nasceu em 03 de fevereiro de 1958 no Rio de Janeiro. Morou em Paris e Estrasburgo, na França, e em Pittsburgh, nos Estados Unidos. É professora e vice-diretora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de autora e diretora teatral.

Formada em Teoria do Teatro pela Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) em 1981, especializou-se na obra de Nelson Rodrigues. Defendeu em 1985, na Universidade de Paris I, uma tese de Doutorado sobre O trágico no teatro de Nelson Rodrigues, publicada em livro com o título Nelson Rodrigues, trágico, então moderno.

Ângela Leite Lopes traduziu obras literárias e filosóficas, mas prefere traduzir peças de teatro. Seu trabalho de tradutora lhe valeu uma bolsa de dois meses do Ministério da Cultura da França em 1994, quando residiu no Collège International des Traducteurs Littéraires em Arles.

Nem sempre a tradutora escolhe as obras para traduzir; na maioria das vezes, recebe encomendas de editores, de diretores e/ou atores que querem montar uma peça. As obras que ela escolhe para tradução são as que quer divulgar ou aquelas com as quais pretende trabalhar em algum projeto específico.

Ela não se apoia em nenhuma teoria específica de tradução, mas tem como referências Walter Benjamin e Maurice Blanchot.

Verbete publicado em 26 de May de 2006 por:
Narceli Piucco
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Fragmento de Monsieur Armand, vulgo Garrincha, de Serge Valletti. Tradução de Ângela Leite Lopes:

L'équipe de Botafogo entra sur le terrain et en avant-dernier le sacré numéro 7… Manoel dos Santos… Garrincha… Mané…

O time do Botafogo entrou em campo e o penúltimo foi o grande número 7... Manoel dos Santos... Garrincha... Mané...

Il avait vingt-deux ans et jouait en riant !

Ele tinha vinte e dois anos e jogava rindo !

Garrincha !

Garrincha !

L'homme qui passait toujours à droite .

O homem que sempre passava pela direita.

Je sais, je sais, c'est difficile à comprendre.

Eu sei, eu sei, é difícil de entender.

Mais comment dire ?

Mas como dizer ?

Voilà.

Voilà.

Non, mais oui, mais non, c'est parce que vous n'êtes pas bien placés.

Não, mas é, mas não é, é porque vocês não estão num bom lugar.

Par rapport à ce qu'il y a à voir.

Em relação ao que tem pra ser visto.

C'est pour ça.

É por isso.

Vous croyez comprendre.

Você acha que está entendendo.

Effectivement vous comprenez quelque chose, oui, mais c'est pourtant simple : puisque vous n'êtes pas au même endroit que ce que vous regardez, vous comprenez… mais de votre place !

De fato você entende alguma coisa, sim, mas é bem simples : já que você não está no mesmo lugar que aquilo que você está vendo, você entende... mas do seu lugar !

Il faut avoir été, là, à l'endroit, je veux dire, où se passe l'action. Oui, l'action. C'est de ça qu'on parle. De l'action !

É preciso ter estado, ali, no lugar, quero dizer, onde a ação se passa. Sim, a ação. É disso que se está falando. Da ação !

Je vous dis que ça part toujours à droite.

Eu lhe digo que sempre vai pra direita.

C'est simple.

É simples.

Toujours à droite.

Sempre pra direita.

Vous êtes sûr, mais comme deux et deux font quatre, que je vais aller à droite.

Você tem certeza, mas como dois mais dois são quatro, que eu vou pela direita.

Non seulement vous en êtes sûr, mais tout le monde le sait !

Não somente você tem certeza, como todo mundo sabe !

Tout le monde a vu les photos, les films, la télévision maintenant.

Todo mundo viu as fotos, os filmes, agora a televisão.

A droite !

À direita !

A droite !

À direita !

L'homme qui passe toujours à droite !

O homem que sempre passa pela direita !

Le voilà !

Ei-lo !

Où est-il ?

Onde está ele ?

A droite je vous dis !

À direita estou dizendo!

Il arrive devant vous !

Ele chega na sua frente !

Qu'est-ce que vous vous dites ?

O que você pensa ?

Je me mets sur la gauche, pour le contrer.

Vou me colocar à esquerda, para me contrapor a ele.

Je le serre le plus possible !

Eu o cerco o mais que posso !

Il tente bien un coup à gauche le zèbre !

Ele tenta um lance à esquerda a zebra !

Non, il ne va pas y aller !

Não, ele não vai conseguir !

Puisqu'il passe toujours à droite.

Já que ele sempre passa pela direita.

Je ne vais pas le répéter cinquante fois.

Não vou ficar repetindo cinqüenta vezes.

Toujours à droite.

Sempre à direita.

D'ailleurs, tenez, il y repique !

Aliás, olha só, ele recomeça !

Il caresse le ballon qui ne bouge presque plus.

Ele acaricia a bola que quase não se mexe mais.

Je vous disais bien qu'il allait passer par la droite.

Bem que eu dizia que ele ia passar pela direita.

Par sa droite !

Pela direita dele !

C'est-à-dire par ma gauche !

Ou seja pela minha esquerda !

Enfin votre gauche !

Enfim sua esquerda !

Valletti, Serge. Monsieur Armand, dit Garrincha. Paris : Ed. L'Atalante, 2001.

Valletti, Serge. Monsieur Armand, vulgo Garrincha. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: Ed. 7 Letras, 2002. (Monsieur Armand, dit Garrincha)

Bibliografia

Traduções Publicadas

"Doroteia", de Nelson Rodrigues, em anexo à tese de Doutorado defendida na Université de Paris I em dezembro de 1995: Le tragique dans le théâtre de Nelson Rodrigues.

"Dame des noyés", de Nelson Rodrigues, espetáculo dirigido por Eleonora Rossi e apresentado em Paris e Courbevoie, França, em junho de 1992.

"Le Serpent", de Nelson Rodrigues, leitura dramatizada dirigida por Eleonora Rossi no Centro Georges Pompidou, Paris, em novembro de 1992.

"Valse nº 6", de Nelson Rodrigues, espetáculo dirigido por Henri Ronse e apresentado na França e na Bélgica de outubro a dezembro de 1993; espetáculo dirigido por Alain Ollivier e apresentado no Théâtre Treize em Paris em novembro e dezembro de 1995.

"Le baiser sur l'asphalte", de Nelson Rodrigues, sob encomenda do diretor de teatro francês Alain Ollivier, ainda inédita na França.

"Deux perdus dans une nuit sale", de Plínio Marcos, leitura dramatizada realizada por Emílio de Mello, Thierry Trémouroux e Alain Ollivier no Salão do Livro de Paris em março de 1998; leitura dramatizada dirigida por Michel Didym no Théâtre Gérard Philipe em Saint Denis, França, em julho de 1998.

"Toute nudité sera châtiée", de Nelson Rodrigues, espetáculo dirigido por Alain Ollivier e apresentado de 25 de maio a 26 de junho de 1999 no Studio Théâtre de Vitry, França, e de 11 a 19 de julho de 1999 na Salle Benoît XII em Avignon, dentro da programação oficial do Festival d'Avignon.

"Il faut parfois se servir d'un poignard pour se frayer un chemin", de Roberto Alvim, leitura dramatizada dirigida por Michel Didym e apresentada no Festival La Mousson d'Été, Pont-à-Mousson, França em 27 de agosto de 2004.

Cinema

"Os Sermões", do Padre Antonio Vieira, legendas para o francês do filme de Júlio Bressane, dezembro 1989.

"Vestido de noiva", de Nelson Rodrigues, legendas para o francês (em colaboração com Thierry Trémouroux) do filme de Joffre Rodrigues, 2005.

Livros - teatro

Para o português:

Novarina, Valère. Diante da palavra. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: 7Letras, 2003. (Devant la parole)

Valletti, Serge. Santo Elvis. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: 7Letras, 2001. (Saint Elvis)

Novarina, Valère. Carta aos atores e para Louis de Funès. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: 7 Letras, 1999. (Lettre aux acteurs et de Pour Louis de Funès)

Corneille, Pierre. O Cid. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro:7 Letras, 1998. (Le cid).

Rilke, Rainer Maria. A Princesa Branca: cena à beira mar. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: 7Letras, 1996. (La princesse blanche)

Para o francês:

Valletti, Serge. Monsieur Armand, vulgo Garrincha. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: Ed. 7 Letras, 2002. (Monsieur Armand, dit Garrincha)

Marcos, Plínio. Deux perdus dans une nuit sale. [Por: Ângela Leite Lopes]. Rio de Janeiro: Funarte, 1998. (Dois perdidos numa noite suja)

Rodrigues, Nelson. Toute nudité sera châtiée, suivi de Le Baiser sur l'asphalte. [Por: Ângela Leite Lopes]. Paris: Actes Sud - Papiers, 1999. (Toda nudez será castigada, seguida de O beijo sobre o asfalto)

Rodrigues, Nelson. Valse nº 6, suivi de Dames des noyés. [Por: Ângela Leite Lopes]. Paris : Christian Bourgois, 1990, col "Le répertoire de Saint Jérôme".

Filosofia

Rancière, Jacques. O Desentendimento. [Por: Ângela Leite Lopes]. São Paulo: Editora 34, 1996. (La mésentente)

Labarthe, Philippe Lacoue. "A censura do especulativo e Hölderlin e os gregos". [Por: Ângela Leite Lopes]. In: A imitação dos modernos. São Paulo: Paz e Terra, 2000. (Em colaboração com Pedro Alvim Leite Lopes).

Revistas especializadas

Maurice Blanchot. "Traduzir". Folhetim, Rio de Janeiro, n. 17, mai/ago 2003. (Em colaboração com Fátima Saadi).

Valère Novarina."Diante da palavra".  Folhetim, Rio de Janeiro, n.15, out/dez. 2002.

Valère Novarina. "Discurso aos animais - A inquietude". Inimigo Rumor, Rio de Janeiro, 7 Letras, 2º semestre 2002.

Nelson Rodrigues. "O Reacionário - Chroniques". Théâtre/Public, Paris, n. 146, 1999.

Nelson Rodrigues. "La générale". Théâtre/Public, Paris, nº146, mars-avril, 1999.

Maurice Blanchot. "O efeito de estranheza". Folhetim, Rio de Janeiro,n.2, julho/agosto/set.1998.

Tadeusz Kantor."O teatro da morte". Folhetim, Rio de Janeiro, n.0, jan/fev/mar 1998.

Nelson Rodrigues. "Je vous présente Dame des noyés". Infos Brésil, Paris,n. 65, dez/ 1991.

"Le théâtre désagréable de Nelson Rodrigues". Art Press, Paris, n.151, out/1990.

Maurice Blanchot. "O olhar de Orfeu".  Rio de Janeiro, Forum de Ciência e Cultura da UFRJ, 1986.

Obra própria

Lopes, Ângela Leite. Nelson Rodrigues, trágico, então moderno. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/Tempo Brasileiro, 1993.

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ISBN:   85-88464-07-1

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