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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Roberto Gomes

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Roberto Gomes nasceu em 08 de outubro 1944, em Blumenau, Santa Catarina. Formado em Filosofia pela Universidade Católica do Paraná, em 1969, trabalhou como escritor, romancista, contista, professor universitário, editor colaborador do jornal Gazeta do Povo de Curitiba, Paraná.

Estreou no jornalismo e na literatura em 1961, com uma crônica publicada no extinto semanário O Combate, de Blumenau, dirigido pelo pai, João Gomes. Em 1964, transferiu-se para Curitiba. No mesmo período, escrevia para A Nação, dos Diários Associados. Desde então, Gomes circulou por vários gêneros literários: romance, conto, literatura infantil, ensaios, e um livro de filosofia. Iniciou a carreira de escritor com uma obra de filosofia, Crítica da Razão Tupiniquim, 1977.

Ele traduziu obras originais a partir do francês e do espanhol, como Cândido, de Voltaire, e A vida de Lazarillo de Tormes, anônimo. Também traduziu obras de autores russos a partir de traduções francesas, que cotejou com traduções em inglês e espanhol, como O Jogador, de Dostoievski, e O Retrato, de Gogol.

Verbete publicado em 18 de August de 2005 por:
Narceli Piucco
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Prólogo d'A vida de Lazarillo de Tormes, novela anônima espanhola. Tradução de Roberto Gomes.

Prólogo

Yo por bien tengo que cosas tan señaladas, y por ventura nunca oídas ni vistas, vengan a noticia de muchos y no se entierren en la sepultura del olvido, pues podría ser que alguno que las lea halle algo que le agrade, y a los que no ahondaren tanto los deleite; y a este proposito dice Plinio que no hay libro, por malo que sea, que no tenga alguna cosa buena; mayormente que los gustos no son todos unos, mas lo que uno no come, otro se pierde por ello. Y así vemos cosas tenidas en poco de algunos, que de otros no lo son. Y esto, para ninguna cosa se debería romper ni echar a mal, si muy detestable no fuese, sino que a todos se comunicase, mayormente siendo sin perjuicio y pudiendo sacar della algún fruto.

Prólogo

Tenho por bem que coisas tão notáveis e talvez jamais vistas ou ouvidas, devam se tornar do conhecimento de muitos ao invés de serem enterradas na sepultura do olvido, pois pode acontecer, a quem as ler, de nelas encontrar algo que lhes agrade, mesmo sendo daqueles que não mergulham tão profundamente nos prazeres da leitura. A este propósito, disse Plínio1 que não há livro, por pior que seja, que não tenha algo de bom. Considerando-se o fato de que os gostos não são todos iguais e que aquilo que um não come é a perdição de outro, sabemos que coisas desprezadas por uns não o são por outros. Portanto, nenhuma coisa deveria ser desprezada e jogada de lado, por mais detestável que fosse, mas sim comunicada a todos, sobretudo não sendo prejudicial e dela podendo-se retirar algum fruto.

Porque si así no fuese, muy pocos escribirían para uno solo, pues no se hace sin trabajo, y quieren, ya que lo pasan, ser recompensados, no con dineros, mas con que vean y lean sus obras, y si hay de que, se las alaben; y a este proposito dice Tulio: Se assim não fosse, pouquíssimos escreveriam para um só leitor, já que não se escreve sem trabalho e aqueles que o empreendem querem ser recompensados, senão com dinheiro, ao menos que sejam vistas e lidas suas obras e, se houver motivos, que as louvem, sendo que a este propósito diz Túlio2:

"La honra cría las artes."

¿Quién piensa que el soldado que es primero del escala, tiene mas aborrecido el vivir? No, por cierto; mas el deseo de alabanza le hace ponerse en peligro; y así, en las artes y letras es lo mesmo. Predica muy bien el presentado, y es hombre que desea mucho el provecho de las animas; mas pregunten a su merced si le pesa cuando le dicen: "¡Oh, que maravillosamente lo ha hecho vuestra reverencia!" Justo muy ruinmente el señor don Fulano, y dio el sayete de armas al truhán, porque le loaba de haber llevado muy buenas lanzas. ¿Que hiciera si fuera verdad?

"A honra cria as artes."

Alguém imagina que o soldado que é o primeiro a avançar odeie, mais do que os outros, a vida? Ninguém, por certo. O desejo de aplauso faz com que se coloque em perigo. O mesmo se dá nas artes. Prega muito bem o teólogo, sendo homem que deseja acima de tudo o proveito das almas. Mas perguntem a sua mercê se o desagrada quando dizem:

Oh, quão maravilhosamente pregou vossa reverendíssima!

Lutou desastradamente o senhor dom Fulano e deu seu saio3 de armas ao truão que lhe enalteceu os golpes com a lança. Que faria caso fosse verdade?

Y todo va desta manera: que confesando yo no ser mas santo que mis vecinos, desta nonada, que en este grosero estilo escribo, no me pesara que hayan parte y se huelguen con ello todos los que en ella algún gusto hallaren, y vean que vive un hombre con tantas fortunas, peligros y adversidades.

Suplico a vuestra merced reciba el pobre servicio de mano de quien lo hiciera más rico si su poder y deseo se conformaran.

Y pues vuestra merced escribe se le escriba y relate el caso por muy extenso, pareciome no tomalle por el medio, sino por el principio, porque se tenga entera noticia de mi persona, y también porque consideren los que heredaron nobles estados cuán poco se les debe, pues Fortuna fue con ellos parcial, y cuanto mas hicieron los que, siendoles contraria, con fuerza y mana remando, salieron a buen puerto.

É assim que as coisas se movem. Mesmo confessando não ser mais santo que meus vizinhos, nonada , eu, que escrevo neste estilo grosseiro, não me abalaria caso se envolvam e se divirtam os que encontrarem algum prazer em ver como vive um homem entre tantas penúrias, perigos e adversidades.

Suplico a Vossa Mercê que receba os pobres serviços das mãos de quem o faria mais rico se seu poder e desejo o permitissem. Como Vossa Mercê me escreve pedindo que lhe escreva e relate o caso mais extensamente, pareceu-me útil não iniciá-lo pelo meio, mas sim pelo princípio, para que se tenha a notícia completa de minha pessoa, e também para que considerem, aqueles que são herdeiros de condições nobres, quão poucos méritos possuem, pois a Fortuna foi com eles parcial, e quanto mais fizeram os que, sendo-lhes ela contrária, remando com força e astúcia, chegaram a bom porto.

 

 

Anônimo. A vida de Lazarillo de Tormes. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M Editores, 2004. (La vida de Lazarillo de Tormes, y de sus fortunas y adversidades).

1 - Caio Plínio Segundo (23-79 d.C.). Conhecido como Plínio, o Velho. Autor de História Natural.

2 - Marco Túlio Cícero (105-43 a.C.). Estadista, advogado, orador brilhante. Escritor romano célebre pelos seus discursos.

3 - Antiga vestimenta feita de tecido grosseiro, sem botões e folgada, usada por guerreiros, e que cobria o corpo até os joelhos.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Anônimo. A vida de Lazarillo de Tormes. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M, 2005. (La vida de Lazarillo de Tormes, y de sus fortunas y adversidades).

Dostoievski Fidor. O Jogador. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M, 1998. (original em russo / tradução do francês).

Gogol, Nikolai Vassilievitch. O capote e o retrato. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M, 2001. (Original em russo / tradução do francês).

Gogol, Nikolai Vassilievitch. O nariz e Diário de um louco. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M, 2001. (Original em russo / tradução de: Le nez et le journal d'un fouer).

Mérimée, Prosper. Carmem. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M, 1997. (Carmen).

Voltaire. Cândido ou o Otimismo. [Por: Roberto Gomes]. Porto Alegre: LP&M, 1998. (Candide ou l'optimisme).

Obra própria

Gomes, Roberto. A difícil arte de ser urubu. Curitiba: Criar, 2002.

Gomes, Roberto. Alegres memórias de um cadáver. (1979) 5. ed., Curitiba: Criar, 2004.

Gomes, Roberto. Alma de bicho. Crônicas. Curitiba: Criar, 2000.

Gomes, Roberto. Antes que o teto desabe. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1981.

Gomes, Roberto. Aristeu e sua aldeia. (1987) Rio de Janeiro: Antares, 2. ed., 1988.

Gomes, Roberto. Carolina do nariz vermelho. (1986) São Paulo: FTD, 3. ed., 1993.

Gomes, Roberto. Crítica da razão tupiniquim. (1977) 12. ed., Curitiba: Criar, 2001.

Gomes, Roberto. Exercício de solidão. Contos. Rio de Janeiro: Record, 1998.

Gomes, Roberto. O demolidor de miragens. Curitiba: Criar, 1983.

Gomes, Roberto. O menino que descobriu o sol. (1982) São Paulo: FTD, 10. ed., 1995.

Gomes, Roberto. Os dias do demônio. Romance. (1995) 2. ed., Curitiba: Criar, 2001.

Gomes, Roberto. Sabrina de trotoar e de tacape. Curitiba: Criar, 1981.

Gomes, Roberto. Terceiro tempo de jogo. (1985) São Paulo: Moderna, 4. ed., 1994

Gomes, Roberto. Todas as casas. Curitiba: Criar, 2004.

Participação em Antologias

Gomes, Roberto. O menino que descobriu o sol. Conto incluído na antologia Primeiro concurso nacional de contos infantis - os melhores contos. São Paulo: Santo Alberto, 1980.

Gomes, Roberto. Quem enlouquece, o louco. Conto incluído em Sete estações da loucura. Florianópolis: Guarapuvu, 1998.

Gomes, Roberto. Motivos para assassinar. Chico Buarque de Holanda. Conto incluído na antologia Assim escrevem os paranaenses. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978.

Gomes, Roberto. Sabrina de Trotoar e de Tacape. Conto incluído na antologia Os contos premiados no Concurso Unibanco de Literatura, São Paulo: Edibolso, 1978.

Gomes, Roberto. Tende piedade de mim, Senhor. Conto incluído em Este Amor Catarina. Org. Flávio José Cardozo, Salim Miguel e Silveira de Souza. Florianópolis: Editora da UFSC, 1996.

Artigos de filosofia em revistas especializadas

Gomes, Roberto. "As Ciências Humanas e o Racionalismo Científico". In: Revista Veritas, Porto Alegre, v.40, n. 157, mar.1995, p.79-86.

Gomes, Roberto. "Crítica da Razão Tupiniquim". In: Revista Vozes, Petrópolis, ano 68, v. LXVIII, jun-jul 1974, n. 5, p.13-20

Gomes, Roberto. "Ciências Humanas - um saber entre dois amores". In: Revista Veritas, Porto Alegre, v. 38, n. 152, dez. 1993, p. 617-624.

Gomes, Roberto. "Jacques Lacan - um retorno a Freud". In: Revista Vozes, Petrópolis, ano 69, v. LXIX, out.1975, n. 8, p. 5-14.

Gomes, Roberto. "O Alienista: loucura, poder e ciência". In: Revista Tempo Social, USP/São Paulo, 5(1-2): 145-160, nov.1994.

Gomes, Roberto. "O saber sem desejo (Durkheim e as Ciências Humanas)". In: Revista Veritas, Porto Alegre, v.39, n.156, dez.1994, p. 639-660.

Gomes, Roberto. "Pensar a questão ecológica: limites". In: Revista Ciência & Ambiente, Editora da Universidade de Santa Maria - RS, jul-dez.1994.

Gomes, Roberto. "Filosofia e Ecologia (Limites)". In: Revista Ciência & Ambiente, Editora da Universidade de Santa Maria - RS, jul-dez.1994.

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