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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Rachel Gutiérrez

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Nascida em Sant'Ana do Livramento, RS, em 1935, Rachel Gutiérrez é tradutora, escritora, poetisa, conferencista e pianista com formação clássica. Viveu na Áustria, França e Alemanha. Formada em Filosofia pela UERJ, fez Mestrado e Doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, com projeto de tese sobre a estética da poesia na obra de Lou Andreas Salomé, que posteriormente viria a constituir o tema de uma de suas peças teatrais, e também sobre o pensamento na obra de Clarice Lispector.

Rachel começou a traduzir na década de 1960. Ela já traduziu obras do inglês, italiano, espanhol, francês e alemão. Aprendeu a falar espanhol ainda criança, por residir próximo à fronteira do Brasil com o Uruguai. Inglês e francês, aprendeu na adolescência; alemão, durante sua permanência em Viena, ainda na década de 1950, quando estudou piano com o maestro Bruno Seidlhofer. Aos vinte e um anos, aprendeu a falar o italiano em uma viagem feita à Europa em um navio italiano, e após essa experiência, aprofundou seus conhecimentos deste idioma com a leitura.

Na década de 1980 fundou, com algumas amigas, o grupo de reflexão feminista Mulherando, e como representante do Movimento Feminista foi a primeira mulher a participar de uma candidatura majoritária ­ para vice-governador(a) ­ nas eleições cariocas de 1986.

Em 1994, criou, com Ester Schwartz, a Associação dos Leitores e Amigos de Clarice Lispector, da qual é presidente. Durante sete anos foi consultora editorial da Editora Rocco para a Coleção Gênero Plural. Hoje, Rachel dedica-se mais aos seus próprios textos, voltados tanto para a literatura como para o teatro.

Verbete publicado em 9 de November de 2005 por:
Ana Paula M. Raso
Andréia Guerini

Excertos de traduções

Fragmento de Alma do Mundo, de Susanna Tamaro. Tradução de Rachel Gutiérrez.

Questa notte non ho chiuso occhio. Le notti insonni sono ormai la regola della mia vita. Pensavo a tutto quell'amore sprecato e provavo una gran rabbia, chiudevo gli occhi e digrignavo i denti, non è possibile, mi dicevo, che le cose vadano avanti in moto così idiota. È stupido, lo so, ma provavo grande gelosia. La suora aveva detto che l'invidia è la paura di non essere amati abbastanza. In quel momento era vero, nella solitudine dell'oscurità i fiori erano diventati i miei nemici, i fiori e tutti gli esseri , le creature che erano semplicemente vive. Odiavo il trionfo della vita, quel crescere prepotente3 e cieco. Non tolleravo tutto quello spreco di energia che prima o poi sarebbe diventato morte. Al cambio di stagioni fiori appassiscono, per uccidere un essere umano non occorre neanche una rotazione terrestre. È facilissimo, basta un colpo dritto fra il naso e la bocca oppure alla nuca. Uccidere è inserire un fattore di disturbo nella complessità dell'ordine.

Nessa noite não preguei olho. As noites de insônia são agora a regra da minha vida. Pensava em todo aquele amor desperdiçado e sentia uma grande raiva, fechava os olhos e rangia os dentes, não é possível, eu me dizia, que as coisas caminhem desse jeito tão idiota. É estúpido, eu sei, mas eu sentia um grande ciúme. A irmã dissera que a inveja é o medo de não ser amado suficientemente. Naquele momento era verdade, na solidão do escuro as flores tinham-se tornado os meus inimigos, as flores e todos os seres, as criaturas que simplesmente estavam vivas. Eu odiava o triunfo da vida, aquele crescimento prepotente e cego. Não podia tolerar tudo aquilo que, encharcado de energia, cedo ou tarde iria morrer. Na mudança das estações, as flores murcham, para matar um ser humano não há necessidade sequer de uma rotação da terrestre. É facílimo, basta um golpe certeiro entre o nariz e a boca, ou na nuca. Matar é inserir um fator de distúrbio na complexidade da ordem.

Alle tre mi sono alzato e sono uscito. In cielo la luna era alta e illuminava le cose intorno come si fosse giorno. Sono andato nell'orto e ho cominciato a distruggere. Strappavo i fiori con furore selvaggio, li strappavo come fossero chiodi piantati nel mio cuore. Quando non c'è stata più neanche una corolla intatta, mi sono pulito le mani sui calzoni e in silenzio ho raggiunto la stanza della suora.

   Às três horas me levantei e saí. A lua estava alta no céu e iluminava as coisas como se fosse dia. Fui à horta e comecei a destruir. Arrancava as flores com fúria selvagem, arrancava-as como se fossem pregos enterrados em meu coração. Quando não restava mais nenhuma corola intacta, limpei as mãos nas calças e em silêncio me dirigi ao quarto da freira.

Susanna Tamaro. Anima Mundi. Milão: Baldini & Castoldi, 1997, p. 257.

Susanna Tamaro. Alma do Mundo. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 1997, pp. 261-262. (Anima Mundi).

Bibliografia

Traduções Publicadas

Carpenter, Frederic I. Eugene O'Neill. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Lidador, 1966. (Eugene O'Neill). Biografia.

Cixoux, Hélène. A Hora de Clarice Lispector. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Exodus, 1999. (L'heure de Clarisse Lispector).

Clément, Catherine. A Ópera ou a Derrota das Mulheres. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 1993 (L'opéra, ou La défaite des femmes).

Hume, David. Resumo de um Tratado da Natureza Humana. [Por: Rachel Gutiérrez; José Sotero Caio]. Porto Alegre: Paraula, 1995. (A Treatise of Human Nature).

Kristeva, Julia; Clément, Catherine. O Feminino e o Sagrado. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. (Le féminin et le sacré).

Livi, Grazia. As Letras do Meu Nome. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 1995. (Le lettere del mio nome).

Pennac, Daniel. Esses senhores, os meninos. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. (Messieurs les enfants).

Tabucchi, Antonio. Mulher de Porto Pim. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. (Donna di Porto Pim).

Tabucchi, Antonio. Sonhos de Sonhos. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. (Sogni di Sogni).

Tamaro, Susanna. Alma do Mundo. [Por: Rachel Gutiérrez]. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. (Anima Mundi).

Obra própria

Gutiérrez, Rachel. O Feminismo é um Humanismo. Rio de Janeiro/São Paulo: Antares/Nobel, 1985. Ensaio.

Gutiérrez, Rachel. Mulheres em movimento, homens perplexos. Rio de Janeiro: Madana, 1987. Coletânea de Artigos.

Gutiérrez, Rachel. Comigos de mim. São Paulo: Massao Ohno, 1995. Poesia.

Gutiérrez, Rachel. Cantares. Rio de Janeiro: Booklink, 2002. Poesia.

Gutiérrez, Rachel. Narcisismo e Poesia. Rio de Janeiro: Booklink, 2004. Ensaios.

Teatro

Gutiérrez, Rachel. Lou Andreas Salomé. Rio de Janeiro, 1997.

Gutiérrez, Rachel. Palavra de Mulher. Rio de Janeiro, 2001.

Participação em livros

Ohno, Massao. Mulheres (in) Versos. São Paulo: Massao Ohno, 1990.

Kuhner, Maria Helena; Albornoz, Celina. Homem/mulher: uma relação em mudança. Rio de Janeiro: CCBB, 1994.

Oliveira, Rosângela Soares de; Carneiro, Fernanda. CORPO: meu bem, meu mal. Rio de Janeiro: ISER, 1995.

Jacobina, Eloá; Kühner, Maria Helena. Feminino/Masculino no imaginário de diferentes épocas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

Capítulos de livros publicados

Gutiérrez, Rachel. "A transgressão do feminino". In: Projeto Mulher IDAC - Instituto de Ação Cultural / Projeto Anna Magnani - Instituto Italiano de Cultura / Departamento de Letras PUC/RJ. Rio de Janeiro: IDAC-PUC, 1990.

Gutiérrez, Rachel. "What is a feminist biography?". In: Iles, Teresa. Women and Biography. London/New York: Pergamon Press, 1992.

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ISBN:   85-88464-07-1

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