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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Paulo Vizioli

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

O professor Paulo Vizioli, titular da USP, nasceu em Piracicaba (SP) em 1934 e faleceu em 1999, conforme nota encontrada no Jornal de São Paulo[1]. Formou-se na USP em Letras Anglo-Germânicas. Iniciou a docência na USP, após seu retorno como bolsista Fullbright em Yale (EUA). Defendeu a tese livre docência na Universidade de São Paulo em 1967 intitulada "Inglaterra e o gênio céltico elementos não ingleses na poesia britânica do século XX". Foi sócio fundador da ABRAPUI (Associação Brasileira de Professores Universitários de Inglês - 1970) e integrou a comissão editorial da Revista de Estudos Anglo-Americanos. A revista dedicou o número 19-24[2] in memorian a Vizioli e incluiu na seção inicial para o leitor uma vasta informação sobre a sua produção intelectual. Ele também foi membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira de no 39. O conjunto de sua obra se insere na crítica literária e na tradução de poesia de obras inglesas e irlandesas.

Escritor, não somente de livros e periódicos especializados na área de letras, ainda contribuiu para jornais como O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde. Na USP, exerceu cargos universitários de relevância, entre eles o de responsável geral pelos cursos de inglês, graduação e pós-graduação, desde 1964 até sua aposentadoria em 1987, e de vice-diretor da faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Também foi presidente da FUVEST. Orientou diversas teses e dissertações, entre elas a de John Milton: “Past and Present Trends in Literary translation Studies”, em 1990.

Como tradutor, traduziu diversas obras de poesia de autores consagrados como Pope, Coleridge, Blake, Yeats, Donne entre outros. Quanto à crítica ao seu trabalho de tradução, destacamos os artigos de Paulo Henrique Britto[3] e Rosemary Arrojo.[4].

Em 1994, Paulo Vizioli recebeu o Prêmio Jabuti de tradução. A obra galardoada foi William Blake: Poesia e Prosa Selecionadas, Edição Bilíngue, publicada pela editora Nova Alexandria em 1993. A obra laureada teve revisão e ampliação de 57 páginas da 1ª edição de 1984 pela editora J.C. Ismael para 120 páginas na edição da Nova Alexandria de 1993.

 


[1] Notícia disponível em: <http://migre.me/vpGpQ>. Acesso em 03 out 2016.

[2] ESTUDOS ANGLO-AMERICANOS. Nº 19-24. São José do Rio Preto: ABRAPUI, 1995-2000. Anual. ISSN 0102-4906. Disponível em <http://migre.me/vi8Kk> Acesso em 20 out. 2016.

[3] BRITTO, Paulo Henrique. Fidelidade em tradução poética: o caso Donne., in Terceira Margem: Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Letras e Artes, Faculdade de Letras, Pós-Graduação, Ano X, nº 15, 2006. pp. 239-254. Disponível em:  <http://migre.me/vpGIt>. Acesso em 20 out. 2016.

[4] ARROJO, Rosemary. A que são fiéis tradutores e críticos de tradução? Paulo Vizioli e Nelson Ascher discutem John Donne. In: ARROJO, Rosemary. Tradução, Desconstrução e Psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 1993, p. 15-26. Disponível em:  <https://pt.scribd.com/document/247857857/ARROJO-Rosemary-Traducao-desconstrucao-e-psicanalise-pdf>. Acesso em 20 out. 2016.

Verbete publicado em 3 de November de 2016 por:
Mara Gonzalez Bezerra
Andréa Cesco

Excertos de traduções

Excerto de Omeros, de Derek Walcott, tradução de Paulo Vizioli.

I

I

“This is how, one sunrise, we cut down them canoes.”
Philoctete smiles for the tourists, who try taking
his soul with their câmeras, “Once Wind bring the News

“Foi assim que, num amanhecer, nós talhamos aquelas canoas.”
Philoctete sorri para os turistas, que com suas máquinas fotográficas
tentam tirar sua alma. “Logo que o vento traz a notícia

to the laurier-cannelles, their leaves start shaking
the minute the axe of sunlight hit the cedars,
because they could see the axes in our eyes.

para os laurier-cannelles, suas folhas se põem a tremer
no instante em que o machado da luz do sol fere os cedros,
porque podiam ver os machados em seus próprios olhos.

Wind lift the ferns. They sound like the sea thar feed us
fishermen all our life, and the ferrs nodded ‘Yes,
the trees have to die.’ So, fists jam in our jacket,

O vento levanta as samambaias. Soam como o mar que alimenta a nós
pescadores durante a vida inteira; e as samambaias se curvaram: Sim,
as árvores têm que morrer! Assim, punhos premidos nos paletós —

Cause the Heights was cold na our breath making feathers
like the mist, we pass the rum. When it came back, it
give usthe spirit to turn into murderers.

porque estava frio nas alturas — e a respiração fazendo plumas
como a névoa, passamos o rum. Quando voltou, a bebida deu
ânimo para a gente se tornar assassinos.

I lift up the axe and pray for streght em my hands
To wound the first cedar. Dew was filling my eyes,
But I fire one more White rum. Then we advance.”

Eu ergo o machado e rezo por força nas mãos,
para ferir o primeiro cedro. O orvalho me enchia os olhos,
mas atiro mais um rum branco. Então avançamos.”

For some extra silver, under a sea-almond,
he shows them a scar made by a rusted anchor,
rolling one trouser-leg up with the rising moan

Por algum dinheiro extra, sob uma amendoeira marinha,
ele lhes mostra uma cicatriz feita por uma âncora enferrujada,
enrolando uma perna das calças com o lamento ascendente

of a conch. It has puckered like the corolla
of a sea-urchim. He does not explain its cure.
“It have some things”-he smiles-“Worth more than a dólar.”

de uma concha. Ela ficou enrugada como a corola
de um ouriço-cacheiro. Não explica a sua cura.
“Tem coisas”, sorri, “que valem mais do que um dólar.”

 

 

Walcott, Derek. Omeros. New York. Farrar, Straus and Giroux, 1990, pp. 3-4.. Disponível em <http://migre.me/v5iwg>. Acesso em 27 set 2016.

Walcott, Derek. Omeros. tradução e prefácio Paulo Vizioli. — 2. ed. — São Paulo : Companhia das Letras, 2011, pp. 45-46. Excerto disponível em: <http://migre.me/v5j1z>. Acesso em 27 set 2016.

Bibliografia

Traduções Publicadas

BLAKE, William. William Blake: Poesia e Prosa Selecionadas. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, J. C. Ismael Editor, 1984. Poesia. Edição Bilíngue.

BLAKE, William. William Blake: Poesia e Prosa Selecionadas. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Nova Alexandria, 1993. Poesia. Edição Bilíngue. Tradução e Prefácio por Paulo Vizioli.

CHAUCER, Geoffrey. Contos de Cantuária. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Queiroz, 1991. (The Canterbury Tales). Contos.

COLERIDGE, Samuel Taylor. Coleridge - Poemas e Excertos da biografia literária. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Nova Alexandria, 1995. Poesia.

DONNE, John. John Donne, o poeta do amor e da morte. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, J. C. Ismael, 1985. Poesia. Introdução, seleção, tradução e notas de Paulo Vizioli.

POPE, Alexander. Poemas. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Nova Alexandria, 1994. Poesia.

WALCOTT, Derek. Omeros. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Companhia das Letras, 2000. (Omeros). Poesia. Prefácio de Paulo Vizioli.

WILDE, Oscar. A balada do cárcere de Reading. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Nova Alexandria, 1999. ​(The Ballad of Reading Gaol). Poesia.

WORDSWORTH, William. William Wordsworth. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Mandacaru, 1988. Poesia.

YEATS, W. B. Poemas. [Por: Paulo Vizioli]. São Paulo, Companhia das Letras, 1991. Poesia.

Obra própria

Livros publicados

VIZIOLI, Paulo. Italianos A Mesa - Uma Viagem Gastronômica através da Itália. São Paulo, Nova Alexandria, 2001.

VIZIOLI, Paulo. A vida e a obra de James Joyce. São Paulo, EPU, 1991.

VIZIOLI, Paulo. Paterson e o problema do poema épico americano moderno. William Carlos Williams. São Paulo, USP, 1965.

Antologias publicadas

VIZIOLI, Paulo. Literatura inglesa medieval. São Paulo: Nova Alexandria, 1988.

SILVA RAMOS, Péricles Eugênio de; VIZIOLI, Paulo. Poetas de Inglaterra. Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo, 1971.

VIZIOLI, Paulo. Poetas norte-americanos: antologia bilíngue. (Tradução e nota introdutória). Rio de Janeiro: Lidador, 1976.

Capítulos de livros e Artigos Publicados

Paulo Vizioli. Lírica e tradução. In: Gêneros de fronteira: cruzamentos entre o histórico e o literário. São Paulo: Xamã, 1997. p. 360-364. Capítulo de livro.

VIZIOLI, Paulo. A tradução de poesia em língua inglesa: problemas e sugestões. In: Tradução & Comunicação (Revista Brasileira de tradutores). São Paulo, Anhanguera Educacional Ltda. n. 2, março de 1983. Artigo.

VIZIOLI, Paulo. Ezra Pound e o credito social. In: Estado de São Paulo. Cultura São Paulo. p.4-5, 27 out. 1985. Artigo.

VIZIOLI, Paulo. John Dos Passos, uma visão apavorante do capitalismo. In: O Estado de São Paulo: Caderno 2. São Paulo. p. D-4, 27 fev. 1999. Artigo.

VIZIOLI, Paulo. Joyce e Walcott dois Homeros de nosso tempo... e suas verdes ilhas. In: CROP. Revista da Área de Língua Inglesa e Literaturas Inglesa e Norte Americana da Universidade de São Paulo n. 3, p. 11-19, dez. 1996. Artigo.

VIZIOLI, Paulo. Byron o homem, o poeta e a lenda. In: Estado de São Paulo. Cultura. São Paulo p.1-2, 23 jan. 1988. Artigo.

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ISBN:   85-88464-07-1

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