Mário Faustino dos Santos e Silva :: DITRA - Dicionário de tradutores literários no Brasil :: 
Dicionário de tradutores literários no Brasil


Mário Faustino dos Santos e Silva

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Mário Faustino dos Santos e Silva (1930-1962), nascido em 22 de outubro de 1930, em Teresina, Piauí. Jornalista, poeta, crítico literário e tradutor, realizou boa parte de seus estudos em Belém, onde iniciou a escrita de textos jornalísticos bem cedo, por volta de 1947, aos 16 anos, no jornal A Província do Pará, no qual publicou crônicas sobre a Vida Social da Belém da década de 1940. Escreveu também sobre literatura e cinema, além de traduzir matérias internacionais e atuar como redator do jornal, permanecendo nesse periódico até 1949, ano em que se transfere, a pedido do escritor Haroldo Maranhão, para o jornal Folha do Norte. Antes dessa transferência, Mário Faustino já contribuía no Suplemento Literário Arte Literatura (1946-1951) criado por Haroldo Maranhão, publicando traduções de prosa e poesia, principalmente, do espanhol e do inglês, assim como publicou seus primeiros poemas. Nesse período, Mário Faustino residiu durante os anos de 1951 a 1953, na Califórnia, estudando Teoria da Literatura e Literaturas Norte-americana. Em 1955, publica o único livro em vida, O Homem e sua Hora, pela editora Livros de Portugal.

Desde cedo, Faustino exerceu e desempenhou habilidades imprescindíveis para sua futura contribuição no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, na página intitulada Poesia-Experiência, projeto realizado nos períodos que compreendem os anos de 1956 a 1959. Em sua página semanal, Mário Faustino comentou e traduziu poesia de forma intensa, com o objetivo de ser um pequeno curso de poesia, com aulas semanais, de forma didática. Dentre as várias seções criadas por Faustino, destacam-se “É preciso conhecer”, “Fontes e correntes da poesia contemporânea” e “Pedras de toque”. Mário Faustino tinha como objetivo apresentar ao leitor brasileiro, a poesia de língua estrangeira de autores de grande porte, mas pouco conhecidos no Brasil, sempre acompanhado da publicação de poemas inteiros, ladeado com os originais e as respectivas traduções. Nessas seções foram traduzidos poemas de Apollinaire, Antonin Artaud, Charles Baudelaire, e. e. cummings, Edgar Allan Poe, Emily Dickinson, Ezra Pound, Gautier, Lautréamont, Miguel Hernández, Hart Crane, Dylan Thomas, Stéphane Mallarmé, Virgílio, Góngora, Safo, La Fontaine, Milton, Homero, Villon, Keats, Blake, Victor Hugo, Sêneca, Walt Whitman, Horácio, entre muitos outros. Faustino traduzia diretamente do espanhol, francês, inglês, italiano e alemão.

Além desse trabalho intenso no Jornal do Brasil, Faustino foi professor na Fundação Getúlio Vargas (1956-1958), onde atua também como intérprete e tradutor. Dessa experiência, foi publicado o livro Introdução ao planejamento regional (1960) do professor norte-americano John Friedmann, tradução de Mário Faustino. Trabalhou também como jornalista e tradutor na ONU, em Nova York, entre os anos de 1959 a 1960. Mário Faustino morreu em novembro de 1962 em decorrência de um desastre aéreo, no Peru.

Verbete publicado em 3 de September de 2013 por:
Thiago André Veríssimo
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Excerto de "The Waste Land", poema de T. S. Eliot, sem título em português. Tradução de Mário Faustino.

IV. Death by Water

Phlebas the Phoenician, a fortnight dead,
Forgot the cry of gulls, and the deep sea swell
And the profit and loss.
 A current under sea
Picked his bones in whispers. As he rose and fell
He passed the stages of his age and youth
Entering the whirlpool.
 Gentile or Jew
O you who turn the wheel and look to windward,
Consider Phlebas, who was once handsome and tall as you

.



Phlebas, o fenício, morto a quinze dias,
Esqueceu-se do grito das gaivotas e da profunda ondulação do mar
E dos lucros e perdas.
 Uma corrente submarina
Picou-lhe os ossos, murmurando. E subindo e descendo
Ele passou o tempo da velhice e da juventude
E penetrou na voragem.
 Ó vós todos, judeus ou gentios,
Vós que moveis o leme e olhais a barlavento.
Lembrai-vos de Phlebas, que foi um dia belo e alto como vós.

Eliot, T.S. (Thomas Stearns). The wast land, 1922.

Eliot, T.S. “Death by water”. In: Faustino, Mário. Poesia completa. Poesia Traduzida. [Por Mário Faustino]. São Paulo: Max Limonad, 1985, pp. 270-71.

"Separação", poema de Emily Dickinson. Tradução de Mário Faustino.

Parting

Separação

My life closed twice before its close –
 It yet remains to see
If Immortality unveil
 A third event to me
So huge, so hopeless to conceive
 As these that twice befell.
Parting is all we know of heaven,
 And all we need of hell.

Duas vezes encerrou-se minha vida antes do encerramento;
resta saber se a Imortalidade me
revelará um terceiro acontecimento,

tão gigantesco, tão impossível de conceber-se, quanto
esses que duas vezes sucederam. A separação é
tudo o que sabemos do céu e tudo o que
necessitamos do inferno.

Dickinson, Emily. The complete poems of Emily Dickinson Boston, Toronto: Little, Brown and Company, 1960, p. 702-03.

Dickinson, Emily. “Separação”. In: Faustino, Mário. Poesia-Experiência. [Por Mário Faustino]. São Paulo: Perspectiva, 1977, p. 86.

"Sempre", poema de Guillaume Apollinaire. Tradução de Mário Faustino.

Toujours

Sempre

À Madame Faure-Favier

Nous irons plus loin sans avancer jamais
Et de planète en planète
De nébuleuse en nébuleuse
Le don Juan des milles et trois comètes
Même sans bouger de la terre
Cherche les forces neuves
Et prend au sérieux les fantômes

Et tant d'univers s'oublient
Quels sont les grands oublieurs
Qui donc saura nous faire oublier telle ou telle partie du monde
Où est le Christophe Colomb à qui l'on devra l'oubli d'un continent

Sempre Iremos cada vez mais longe sem jamais avançar
É de planeta em planeta
De nebulosa em nebulosa
O d. Juan dos mil e três cometas
Mesmo sem se mexer da terra
Procura as forças novas
E leva a sério os fantasmas

E tantos universos esquecem
Quais são os grandes esquecedores
Quem pois nos poderá fazer esquecer esta ou aquela parte do mundo
Onde está o Cristóvão Colombo a quem deveremos o esquecimento de um continente

Perdre

Mais perdre vraiment
Pour laisser place à la trouvaille
Perdre
La vie pour trouver la Victoire

Perder

Mas perder de verdade
Para dar lugar à trouvaille
Perder
A vida para achar a Vitória

Apollinaire, Guillaume. Oeuvres poétiques. Paris, Gallimard, 1965.

Apollinaire, Guillaume. Dois poemas em verso de Calligrammes. In: Faustino, Mário. Artesanatos de Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 334-336.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Faustino, Mário. Poesia-Experiência. [Por Mário Faustino]. Organização e introdução de Benedito Nunes. São Paulo: Perspectiva, 136, 1977. Edição de ensaios críticos sobre poesia contemporânea ocidental com traduções.

Faustino, Mário. Melhores poemas de Mário Faustino. [Por Mário Faustino] Organização de Benedito Nunes. São Paulo: Global, 2000. Edição com uma antologia traduzida de alguns poemas de Ezra Pound.

Faustino, Mário. Artesanatos de poesia: fontes e correntes da poesia ocidental. [Por Mário Faustino]. Organização de Maria Eugenia Boaventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. Edição de ensaios críticos sobre poesia contemporânea ocidental com traduções.

Faustino, Mário. Poesia completa. Poesia Traduzida. [Por Mário Faustino] Introdução e organização de Benedito Nunes. São Paulo: Max Limonad, 1985. Edição com pequena antologia de poemas traduzidos de diversos autores europeus e norte-americanos.

Friedmann, John R. P. Introdução ao planejamento regional. [Por Mário Faustino] Faustino. Rio de Janeiro: FGV, 1960. Este livro foi resultado de um minicurso ministrado pelo professor norte-americano John Friedmann, em Belém, pela FGV, no período de setembro de 1955 a fevereiro de 1956, no qual Mário Faustino trabalhou como intérprete e tradutor do curso.

Pound, Ezra. Antologia poética. Seleção e prefácio de Augusto de Campos. [Por Augusto de Campos; Décio Pignatari; Haroldo de Campos; José Lino Grünewald & Mário Faustino. Lisboa: Editora Ulisséia, 196?.

Pound, Ezra. Poesia. Organização de Augusto de Campos. [Por Augusto de Campos; Décio Pignatari; Haroldo de Campos; José Lino Grünewald & Mário Faustino]. São Paulo: Brasília, Editora Hucitec, Editora Universidade de Brasília, 1983.

STOCK, Robert. A meretriz imaginária. [Por Mário Faustino]. Belém, Sendas, Edições do Escriba, 2012. Edição bilíngue e facsimilar dos originais datilografados.

Obra própria

Faustino, Mário. Homem e sua Hora. Rio de Janeiro, Livros de Portugal, 1955.

Faustino, Mário. Poesia de Mário Faustino. Introdução e organização de Benedito Nunes. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.

Faustino, Mário. Cinco Ensaios sobre poesia de Mário Faustino. Apresentação e organização de Assis Brasil. Rio de Janeiro: Edições GRD, Coletânea 2, 1964.

Faustino, Mário. Poesia-Experiência. Organização e introdução de Benedito Nunes. São Paulo: Perspectiva, 136, 1977.

Faustino, Mário. Poesia completa. Poesia Traduzida. Introdução e organização de Benedito Nunes. São Paulo: Max Limonad, 1985.

Faustino, Mário. Melhores poemas de Mário Faustino. Organização de Benedito Nunes. São Paulo: Global, 2000.

Faustino, Mário. O homem e sua hora e outros poemas. Pesquisa e organização Maria Boa Ventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Faustino, Mário. De Anchieta aos concretos. Pesquisa e organização Maria Boa Ventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Faustino, Mário. Artesanatos de poesia: fontes e correntes da poesia ocidental. Organização de Maria Eugenia Boaventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Poesia traduzida

Arijón, Teresa (org.). Puentes. Pontes. Poesía argentina y brasileña contemporánea / Poesia argentina e brasileira contemporânea. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2003. Antologia bilíngue. Seleção e ensaios introdutórios: Heloisa Buarque de Hollanda; Jorge Monteleone.

Brasil, Emanuel & William Jay Smith (orgs.) Brazilian Poetry 1950-1980. Middletow, Connecticut: Wesleyan University Press Wesleyan Poetry in Translation Series, 1983. Poesias traduzidas de Augusto de Campos; Décio Pignatari; Haroldo de Campos; Mário Faustino & Ferreira Gullar.

Weissbort, Daniel (org.). Modern Poetry in Translation, Modern Poetry From Brazil. MPT New Series No.6, Winter 94-95, King’s College London, 1994.

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