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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Ligia Vassallo

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Brasileira descendente de franceses, Ligia Vassallo morou em Paris nos anos de 1968-69, 1976-80 e 1990-92. Ela é Bacharel em Letras Clássicas (1963), Licenciada em Letras Clássicas (1965) e em Francês (1967), Mestre em Literatura Brasileira (1974) e Doutora em Teoria Literária (1988). Também fez o curso completo da Aliança Francesa e do Instituto Brasil-Estados Unidos e durante algum tempo frequentou um curso de italiano.

Lecionou Cultura e Literatura Brasileira na Sorbonne (1976-80 e 1990-92), mas é professora efetiva na Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1971, onde já lecionou Teoria Literária e Literatura Comparada e atualmente é professora de Literatura Francesa.

Traduz sempre do francês, mas já traduziu também um ou dois textos do espanhol e do inglês, pois fez estudos secundários "à antiga", que incluíam francês, inglês, espanhol, latim e grego. Aprendeu a traduzir por meio dos textos latinos que estudou no antigo ginásio.

Ligia Vassallo geralmente traduz obras literárias e ensaios enviados pelas editoras; só algumas vezes traduz trabalhos técnicos. Já traduziu em parceria; as obras Fundo musical, por exemplo, com Maria Helena Rouanet e Vigiar e Punir, com Raquel Ramalhete. Escreveu vários textos relativos à canção de gesta e à Canção de Rolando, uma obra anônima da literatura francesa da Idade Média. Elaborou,  também, outros textos ligados ao conteúdo de Carcamanos e comendadores, em especial sobre o escritor António Alcântara Machado, que é um dos autores estudados no livro mencionado.

Verbete publicado em 26 de May de 2006 por:
Narceli Piucco
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Fragmento de A canção de Rolando - (obra anônima, século XII, França). Tradução de Ligia Vassallo:

I - A TRAIÇÃO DE GANELÃO
(versos 1 a 1016)

A - A assembléia dos sarracenos

1

1 (versos 1 a 9)

Carles li reis, nostre emperere magnes,
Set anz tuz pleins ad estéd en Espaigne,
Tresqu'en la mer cunquist la tere altaigne ;
N'i ad castel ki devant lui remaigne,
Mur ne citét n'i est remés a fraindre
Fors Sarraguce, ki est en une muntaigne.
Li reis Marsilie la tient, ki Deu nen aimet,
Mahumet sert et Apollin recleimet ;
Nes poet guarder que mals ne l'i ateignet. Aoi.

Charles le Roi, notre grand empereur, sept ans tout pleins est resté en Espagne : jusqu'à la mer il a conquis la haute terre. Il n'y a château qui devant lui demeure. Mur ni cité ne reste à abattre, hors Saragosse qui est sur une montagne. Le roi Marsile la tient, qui n'aime pas Dieu. Il sert Mahomet et invoque Apollin. Il ne peut s'en garder : le malheur va l'atteindre.

O rei Carlos, noso grande imperador, sete anos completos permaneceu na Espanha : conquistou a terra altiva até o mar. Nenhum castelo resiste diante dele ; não lhe resta abater nenhum muro, nenhuma cidade, exceto Saragoça, que fica numa montanha. Domina-a o rei Marsilio, que não ama Deus. Ele serve a Maomé e invoca Apolo. Não pode se proteger, nem impedir a desgraça de o atingir.

2

2 ( versos 10 a 23)

Li reis Marsilie esteit en Sarraguce,
Alez en est en un verger suz l'umbre,
Sur un perrun de marbre bloi se culched,
Environ lui plus de vint milië humes.
Il en apelet et ses dux et ses cuntes :
" Oëz, seignurs, quel pecchét nus encumbret :
Li empereres Carles de France dulce
En cest païs nos est venuz cunfundre.
Jo nen ai ost qui bataille li dunne,
Ne n'ai tel gent ki la sue derumpet.
Cunseilez mei cume mi savië hume,
Sim (e) guarisez et de mort et de hunte ! "
N'i ad paien ki un sul mot respundet
Fors Blancandrins de[l] castel de Valfunde.

Le roi Marsile était à Saragosse. Il s'en est allé dans un verger, sous l'ombre. Sur un perron de marbre bleu il se couche. Autour de lui sont plus de vingt mille hommes.

Il appelle ses ducs et ses comtes : " Oyez, seigneurs, quel malheur nous accable : l'empereur Charles, de douce France, est venu dans ce pays pour nous confondre. Je n'ai pas d'armée pour lui livrer bataille, je n'ai pas d'hommes capables de disperser les siens. Conseillez-moi, vous, mes hommes sages, et gardez-moi et de mort et de honte ! " Il n'est païen qui un seul mot réponde, hors Blancandrin du Château de Val-Fonde.

O rei Marsilio estava em Saragoça. Foi para a sombra de um vergel. Repousa em um pórtico de mármore azul. Em torno dele estão mais de vinte mil homens. Ele convoca seus condes e duques. " Escutai, senhores, a calamidade que nos assola. O imperador Carlos da Doce França veio a este país para nos confundir. Não tenho exército para combatê-lo. Não tenho homens capazes de desbaratar o exército dele. Aconselhai-me como sábios e salvai-me da morte e da vergonha ! " Nenhum pagão responde uma só palavra, exceto Blancandrino, do castelo de Val Fonde.

Texto original, em dialeto anglo-normando, segundo o Manuscrito de Oxford [o mais antigo manuscrito deste texto] (cf edição UGC - 10/18)

Texto em francês moderno, segundo André Lhéritier :

La chanson de Roland. Edition bilingue suivie de "Les mots et la parole dans le Roland ", par Yves Bonnefoy. Introd. "Pour situer le texte", par Michel Robic. Traduction en français moderne par André Lhéritier. Paris, UGC-10/18, 1968. 307 p.

Também foi consultada e usada mais uma edição :

La chanson de Roland. Paris, Larousse, 1972. 2 vol. Col. " Nouveaux Classiques Larousse ". Organisation, traduction, notes par Guillaume Picot. 144 p + 144 p.

A Canção de Rolando. (anônimo medieval). [Tradução, notas, escolha das ilustrações, texto introdutório por Ligia Vassallo]. Coleção " Obras-primas através dos séculos ". 129 páginas numeradas + 11 de ilustrações. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. (La chanson de Roland).

Bibliografia

Traduções Publicadas

A Canção de Rolando. (anônimo medieval). [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988. (La chanson de Roland).

Asterix. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Lutécia, [s.d.]. (Astérix). 2 livros.

Axelos, Kostas. Horizontes do mundo. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1983. (Horizons du monde)

Barthes, Roland. Sollers escritor. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984. (Sollers écrivain)

Brouwer, Louis de. A arte de permanecer jovem. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Record, 1984. (L'art de rester jeune)

Carelli, Mario. Carcamanos e comendadores. Os italianos em São Paulo, da realidade à ficção (1919-1930). [Por: Ligia Vassallo]. São Paulo: Ática, 1985. Texto originalmente apresentado como tese de Doutorado do autor na Universidade de Paris III.

Couty, Louis. O Brasil em 1884: esboços sociológicos. [Por: Ligia Vassallo]. Brasília/Rio de Janeiro/ Senado Federal/Casa Rui Barbosa, 1984. (Le Brésil en 1884)

Foucault, Michel. Vigiar e Punir. [Por: Ligia Vassallo; Raquel Ramalhete]. Petrópolis: Vozes, 1977. (Surveiller et punir)

Françoise, Sagan. Fundo musical. [Por: Ligia Vassallo; Maria Helena Rouanet]. Rio de Janeiro: Record, 1983 (Musiques de scènes).

Habert, Pierre e Marie. Dicionário da Sexualidade. [Por: Miécio Araújo, Jorge Honkis, Ligia Vassallo, Laís Eleonora Vilanova.] Rio de Janeiro: Record, [s.d.]. (Dictionnaire de la Sexualité).

J.E.Ruffier. Guia prático de massagem. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Record: 1984. (Traité pratique de massage)

Léger, Jean. Higiene e saúde dos dentes. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Record, [s.d.]. (Higiène et santé des dents)

Passebecq. A. Tratamentos naturais de doenças respiratórias. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Record: [s.d.]. (Traitements naturels des affections respiratoires)

Paulus, Jean. A função simbólica e a linguagem. [Por: Ligia Vassallo]. Rio de Janeiro: Eldorado, 1975. (La Fonction symbolique et le langage)

Semiologia e Linguística. [Por: Ligia Vassallo]. Petrópolis: Vozes, 1972. Seleção de ensaios da revista Communications.

Obra própria

Vassallo, L. M. P. (Org.) A Narrativa ontem e hoje. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.

Vassallo, L. M. P. O Sertão Medieval: origens europeias do teatro de Ariano Suassuna. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993, 126 p.

Vassallo, L. M. P. Tempo brasileiro: Teatro Sempre.  Volume monográfico coordenado e editado por Ligia Vasallo. Rio de Janeiro, v. 72, jan-mar/1983.

Vassallo, L. M. P. Tempo brasileiro : Poesia sempre. Volume monográfico coordenado e editado por Ligia Vasallo. Rio de Janeiro, v. 83, out-dez/1985.

Vassallo, L. M. P. Tempo brasileiro : Poéticas e manifestos que abalaram o mundo. Volume monográfico coordenado e editado por Ligia Vasallo. Rio de Janeiro, v. 127, out-dez/1996. 

 Verbetes

Vassallo, L. M. P. Vários verbetes. In: Philippe Van Tieghem (Org); Pierre Joserand (Col.). Dictionnaire des littératures. Paris : Larousse, 1986. 2 volumes.

Vassallo, L. M. P. Vários verbetes. In: Didier, Béatrice (Org). Dictionnaire universel des littératures. Paris: PUF, 1994. 3 volumes.

Vassallo, L. M. P. Vários verbetes. In: Teyssier, Paul. (Org.). Dictionnaire de littérature bresilienne. Paris: PUF, 2001.

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