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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Leonor Scliar-Cabral

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Leonor Scliar-Cabral nasceu em Porto Alegre, em 20 de maio de 1929. Morou por períodos curtos na Argentina, no Uruguai, no Japão, na Espanha, na França e na Inglaterra. Fez o Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1963) e  a Licenciatura em Letras (Português e Inglês) na Pontifícia Universidade Católica, RS, (1968). Cursou Doutorado em Linguística na Universidade de São Paulo (1976) e realizou Pós-doutorado na Universidade de Montréal (1981).

Professora aposentada pela Universidade Federal de Santa Catarina, Leonor Scliar-Cabral começou a traduzir na década de 1970. Traduziu obras científicas e depois se dedicou à tradução poética. Sua relação com a tradução provém de seus conhecimentos de Linguística e suas aplicações. Traduz do espanhol, do judeu-espanhol, do francês, do inglês e do latim. Leonor tornou-se bilíngue em português / espanhol no processo de aquisição da linguagem. Ela estudou o francês, o inglês e o latim no ensino fundamental, no secundário e na graduação. Além disto, foi professora de latim por 13 anos.

Para fazer suas traduções, baseia-se na Linguística Aplicada à Tradução e foi muito influenciada pela obra de Paulo Rónai, a quem conheceu pessoalmente. Para a tradução poética seguiu os princípios da estilística estabelecidos por Damaso Alonso. Afirma ter escrito vários artigos ou outros trabalhos sobre as obras que traduziu. Obteve o Prêmio Esso de Literatura e a Medalha de Ouro Cruz e Sousa. Seu projeto como tradutora é continuar realizando tradução poética.

Verbete publicado em 26 de June de 2005 por:
Narceli Piucco
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Poema "Vida Obscura", de Cruz e Souza. Tradução de Leonor Scliar Cabral & Marie-Hélène Catherine Torres.

Vida Obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!

Vie Obscure

Personne n'a pu sentir ton spasme obscur,
Parmi les humbles, le plus humble inscrit,
Enivré de plaisirs noirs, étourdi,
Le monde pour toi fut funeste et si dur.

Tu as traversé silencieusement sûr
Aux tragiques devoirs, prison en vie.
Au savoir des grands savoirs tu fus conduit
Devenant un être plus simple et plus pur.

Personne n'a vu ton sentiment inquiet,
Blessé, occulte et terrifié, secret,
Que ton coeur t'a poignardé dans le monde.

Mais moi qui ai toujours suivi tes pas
Je sais comment sont crucifiés tes bras
Et comme tes plaintes furent profondes!

Back, Sílvio (Org.). Cruz e Sousa, o poeta do desterrro. (The banished poet, El poeta proscrito, Le poète banni). [Por: Inglês: Steven F. White; Espanhol: Walter Carlos Costa; Francês: Leonor Scliar-Cabral & Marie-Hélène Catherine Torres]. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000. Edição plurilíngüe.

Poema "Violões que choram", de Cruz e Souza. Tradução de Leonor Scliar Cabral & Marie-Hélène Catherine Torres.

Violões que choram

Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.

Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões as cordas gemem,

E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Que céu, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,

Quanto magoado sentimento eterno
Nesses ritmos trêmulos e indecisos...

Que anelos sexuais de monjas belas
Nas ciliciadas carnes tentadoras,
Vagando no recôndito das celas,
Por entre as ânsias dilaceradoras...

Que procissão sinistra de caveiras,
De espectros, pelas sombras mortas, mudas...
Que montanhas de dor, que cordilheiras
De agonias aspérrimas e agudas.

Toda essa labiríntica nevrose
Das virgens nos românticos enleios;
Os ocasos do Amor, toda a clorose
Que ocultamente lhes lacera os seios;

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Violons qui pleurent

Violons gémissants tièdes, somnolents,
Sanglots au clair de lune, pleurs au vent...
Tristes silhouettes, contours hésitants,
Chuchotements de bouches se lamentant.

Quand les sons des violons vont sanglotant,
Quand des sons des violons les cordes gémissent,

Et vont dilacérant et déliciant,
Décharnant les âmes, ombres qui frémissent.

Voix de velours voilées, voix veloutées,
Voluptés de violons, les voix voilées,
Vaguent sur le vortex en vélocité,
Vénustés, vivantes, vaines, vulcanisées.
Quel enfer, quel profond enfer, quel ciel,
Quels azurs, quelles larmes, quels ors souriants

Tant de sentiments blessés éternels
Dans ces rythmes tâtonnants, délirants...

Ardeurs sexuelles de nonnes en leur beauté,
Dans le cilice des tentatrices chairs,
En cellules vaguant recluses aux secrets,
En prise à l'angoisse qui les dilacère...

Quelle procession de crânes en frayeur,
De spectres, par les ombres mortes, silencieuses...
Quelles cordillères, quelles montagnes de douleur,
D'agonies aiguës et acrimonieuses.

Toute cette labyrinthique névrose
Des vierges en de romantiques ravissements;
Les hasards de l'Amour, toute la chlorose
Qui leur lacère les seins occultement;

Voix de velours voilées, voix veloutées,
Voluptés de violons, les voix voilées,
Vaguent sur le vortex en vélocité,
Vénustés, vivantes, vaines, vulcanisées.

Back, Sílvio (Org.). Cruz e Sousa, o poeta do desterrro. (The banished poet, El poeta proscrito, Le poète banni). [Por: Inglês: Steven F. White; Espanhol: Walter Carlos Costa; Francês: Leonor Scliar-Cabral & Marie-Hélène Catherine Torres]. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000. Edição plurilíngüe.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Anônimo. Poemas e canções em ladino (Séc. XV ao XX). [Por: Leonor Scliar-Cabral]. São Paulo: Shalom, n. 2, 1993. p. 14-15. Tradução do judeu-espanhol.

Shakespeare, William. Antonio e Cleópatra [Por: José Roberto O'Shea]. São Paulo: Mandarim, 1997. Assessoria de tradução: Leonor Scliar-Cabral.

Back, Sílvio. Cruz e Sousa, o poeta do desterrro. (The banished poet, El poeta proscrito, Le poète banni). Roteiro de Sylvio Back, trad. ing., Steven F. White; esp., Walter Carlos Costa; fr. Leonor Scliar-Cabral/Marie-Hélène Catherine Torres. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000. p. 203-271.

Borges, Jorge Luis. O outro, o mesmo. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. In: Obras Completas. São Paulo: Globo, vol II. 1999. p. 255-351. (El otro, el mismo). Poesias.

Cícero. "Discurso de Catilina". [Por: Leonor Scliar-Cabral]. In: Antologia Bilíngue de Escritores Latinos. I História, 2. ed. [rev. e aum.] M.G. Novak, M.L.Neri; A.A Peterlini (Orgs.). São Paulo: USP, 1991. p. 43-48. (Catilinam orationes).

"Duas traduções". [Por: Leonor Scliar-Cabral]. In: Folhetim (Folha de São Paulo), São Paulo, 1986. Tradução dos sonetos dos autores Lope de Vega; Quevedo.

Dubois et al. Dicionário de Linguística. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. São Paulo: Cultrix, 1978. (Dictionnaire de linguistique). Tradução dos itens P a S, sob a supervisão de N. Salum.

Frostig, Marianne. Figuras e formas. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. Buenos Aires: Panamericana, 1980. (Pictures and patterns - Teacher's Guide). Chicago: Follett Publishing Company.

Hayakawa, S.I. Uso e mau uso da linguagem. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. São Paulo: Pioneira, 1977. (The use and misuse of language). Revisão e coordenação da tradução de Leonor Scliar-Cabral.

Menyuk, Paula. Aquisição e desenvolvimento da linguagem. [Por: Leonor Scliar-Cabral; Geraldina P. Witter]. São Paulo: Pioneira, 1975. (The acquisition and development of language). Poesia espanhola do século de ouro. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. Edição bilíngue (português / espanhol). Coleção poesia traduzida. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1998, 104 p. Introdução e notas de Leonor Scliar-Cabral.

Roch Lecours, André. Adaptação ao português do Teste M1 - e respectivo protocolo. [Por: Leonor Scliar-Cabral; Ana Maria Soares Barbosa]. Montréal: Guggenheim Foundation, 1981.

Romances e canções sefarditas (Séc. XV ao XX). [Por: Leonor Scliar-Cabral]. São Paulo: Massao Ohno, 1990. Ensaio e tradução poética de autores anônimos. Tradução do judeu-espanhol.

Slama-Cazacu, Tatiana. Psicolinguística aplicada ao ensino de línguas. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. São Paulo: Pioneira, 1979. (Psycholinguistique appliquée à l'enseignement des langues. Prefácio de Leonor Scliar-Cabral).

Vários. Poesia espanhola do século de ouro. [Por: Leonor Scliar-Cabral]. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1998. Introdução e notas de Leonor Scliar-Cabral. Edição bilíngue (português / espanhol). Coleção poesia traduzida.

Obra própria

Scliar-Cabral, Leonor. In: Antologia da poesia brasileira. Xosé Lois Garcia (Org.). Ed. bilíngüe port./galego. Laiovento, 2001. (Antologia de la poesia brasileña).

Scliar-Cabral, Leonor. Poemas traduzidos para o inglês. In: Miriam's Daughter, Jewish Latin American Poets. Morjorie Agosin (Org.). Santa Fé, New México: Sherman Asher Publishing, 2000.

Scliar-Cabral, Leonor. De senectute erotica. Edição bilíngüe (português / francês). Versão de Marie-Hélène C. Torres. São Paulo: Massao Ohno, 1998.

Scliar-Cabral, Leonor. Manen / Nie wieder. Literatur Magazin Rowohlt 42. Erstausgabe, Germany: Letras Judias Latinoamaericanas, 1998.

Scliar-Cabral, Leonor. Ilhíada: uma trezena lírica. [Por: Pedro Port; Arturo Terrizzano]. Florianópolis: Editora do Athanor, 1995, p. 99 -106. Antologia de poemas traduzidos para o espanhol.

Scliar-Cabral, Leonor. Memórias de Sefarad. Ilustrações de Rodrigo de Haro. Florianópolis: Livros do Athanor, 1994, 142 p. Ensaio e poemas.

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ISBN:   85-88464-07-1

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