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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Jorge Wanderley

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Jorge Wanderley nasceu no Recife, Pernambuco, em 1938. Médico, poeta e tradutor, começou a escrever aos 16 anos de idade, publicando seu primeiro livro Gesta e outros poemas, em 1960. Ainda em sua cidade natal, formou-se em Medicina, com especialização em Neurocirurgia, carreira que abandonaria alguns anos após sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1976. Na capital carioca, concluiu mestrado e doutorado em Letras, pela PUC. Nesta universidade e na UFF foi professor de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura nos anos 1980.

Conhecido sobretudo como tradutor e crítico literário, não menor foi sua obra própria, que se estendeu ao longo de quatro décadas, resultando em um fazer poético que permaneceu sempre em constante contrução, grande parte reunido hoje em sua Antologia Poética, livro publicado postumamente em 2001. Jorge Wanderley  publicou inúmeras crônicas e ensaios literários em revistas e jornais, além de uma dezena de traduções, tanto de clássicos da literatura, de Dante (de quem traduziu todos os poemas esparsos e também os poemas de Vita nuova) a Shakespeare, como de autores contemporâneos, entre os quais Bukowski, com quem muito se identificava, por ver no bardo americano uma reprodução de si mesmo.

Em 1998, finalizou a primeira parte de seu projeto que compreendia a tradução integral d' A Divina Comédia — com a tradução anotada do Inferno, de Dante. Também escreveu ensaios e prólogos acerca de suas traduções, sendo laureado postumamente com o Prêmio Jabuti de Tradução Literária, em 2004, pela sua tradução do Inferno.

Jorge Wanderley faleceu no Rio de Janeiro, em 11 dezembro de 1999.

Verbete publicado em 22 de February de 2006 por:
Gleiton Lentz
Andréia Guerini

Excertos de traduções

Soneto LXIV, de Willian Shakespeare. Tradução de Jorge Wanderley.

Soneto LXIV

When I have seen by Time's fell hand defac'd
The rich-proud cost of outworn buried age;
When sometime lofty towers I see down-raz'd,
And brass eternal slave to mortal rage;
When I have seen the hungry ocean gain
Advantage on the kingdom of the shore,
And the firm soil win of the watery main,
Increasing store with loss, and loss with store;
When I have seen such interchange of state,
Or state itself confounded to decay;
Ruin hath taught me thus to ruminate
That Time will come and take my love away.
      This thought is as a death which cannot choose
      But weep to have that which it fears to lose. 

Soneto LXIV

Vendo que a mão do Tempo desfigura
A tão rica altivez dos dias idos,
Que jaz a torre em terra das alturas
Caída, ou o bronze eterno destruído;
Vendo que o mar faminto um dia ganha
Parte ao reino da praia a que vem dar
E no outro o solo a água lhe arrebanha
E ganha a perda e perde por ganhar;
Vendo que é tão comum mudar-se o estado,
Que o próprio estado lembra uma ruína,
Eis que a ruína me tem ensinado
Que o Tempo leva o amor e o amor termina.
      Pensá-lo é dor mortal pois só nos cabe
      O bem que nós tememos logo acabe.

 

Shakespeare, William. Complete sonnets and poems. General introduction by Dr. David G. Pitt. New York: Airmont, 1966, p. 74.

Shakespeare, William. Sonetos. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991, p. 158.

Poema "Conversa às três e meia da madrugada", de Charles Bukowski. Tradução de Jorge Wanderley.

3:30 A.M. Conversation

Conversa às Três e Meia da Madrugada

at 3:30 a.m. in the morning
a door opens
and feet come down the hall
moving a body,
and there is a knock
and you put down your beer
and answer.

god damn it, she says,
dont' you ever sleep?

and she walks in
her hair in curlers
and herself in a silk robe
covered with rabbits and birds

and she has brought her own bottle
to which you splendidly add
2 glasses;
her husband, she says, is in Florida
and the sister sends her money and dresses and
she has been looking for a job
for 32 days.

you tell her
you are a jockey's agent and a
writer of jazz and love songs,
and after a couple of drinks
she doesn't bother to cover
her legs
with the edge of the robe
that keeps falling away.

they are not bad legs at all,
in fact, very good legs,
and soon your are kissing a
head full of curlers.

and the rabbits are beginning
to wink, and Florida is a long way
away, and she says we are not strangers
really because shes has seem me in the hall.

and finally
there is very little
to say.

às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?

e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho

e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.

você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.

não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,

e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.

e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.

Bukowski, Charles. 25 melhores poemas de C. Bukowski. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, pp. 95-97. Edição bilíngüe.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Aliguieri, Dante. A Divina Comédia - Inferno. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Record, 1998. (La Divina Commedia - L'Inferno)

Aliguieri, Dante. Lírica. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.

Aliguieri, Dante. Vida nova: os poemas. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Livraria Taurus/Livraira Timbre, 1988. (Vita nuova)

Borges, Jorge Luis. Borges poeta (antologia). [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Leviatã, 1992.

Bukowski, Charles. 25 melhores poemas de C. Bukowski. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

Shakespeare, Willian. Sonetos. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.(Sonnets)

Shakespeare, Willian. O Rei Lear. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1992.(King Lear)

Terrel, Miedaner. A alma de Anna Klane. [Por: Jorge Wanderley]. São Paulo: Abril Cultural, 1984 .(The soul of Anna Klane)

Valéry, Paul. O cemitério marinho. [Por: Jorge Wanderley]. São Paulo: Max Limonad, 1984. (Le cimetiêre marin)

Wollen, Peter. Cantando na chuva. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Rocco, 1985. (Singin' in the rain)

Antologias

Antologia da nova poesia norte-americana. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992. Organização de Jorge Wanderley

22 ingleses modernos: uma antologia poética. [Por: Jorge Wanderley]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993. Organização de Jorge Wanderley

Obra própria

Poesia

Wanderley, Jorge. Gesta e outros poemas. Recife: O gráfico amador, 1960.

Wanderley, Jorge. Coração à parte. Rio de Janeiro: Achiamé, 1979.

Wanderley, Jorge. Manias de agora. Rio de Janeiro: Topbooks, 1994.

Wanderley, Jorge. Agente infiltrado. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

Wanderley, Jorge. Antologia poética. (Org. Marcia Wanderley). São Paulo: Ateliê, 2002. Inclui traduções de clássicos.

Ensaios

Wanderley, Jorge. Arquivo/Ensaio. São Paulo: Edusp, 1994.

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ISBN:   85-88464-07-1

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