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Dicionário de tradutores literários no Brasil


Hamilton Trevisan

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Hamilton Trevisan (1936 – 1984) nasceu em Sorocaba (SP). Advogado, jornalista e contista, dedicou-se também à tradução literária. Ao lado de Wladyr Náder (1938), foi um dos fundadores da Escrita - importante revista de literatura da década de 1970. Conheceu o escritor Raduan Nassar em 1955, quando frequentava o curso de Letras Clássicas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Juntamente com o também escritor e tradutor Modesto Carone (ver verbete no Ditra), que também estudava na USP, os três formaram um grupo de amigos que se reunia para discutir literatura.

A tradução de Trevisan da antologia de contos Dubliners, de James Joyce (Civilização Brasileira, 1964), teve inúmeras reedições em quatro décadas (pelo menos 11 edições pela Civilização Brasileira entre 1964 e 2006, tendo sido também editada pela Ediouro, em 1992, e pela Editora da Folha, em 2003). É, sem dúvida, a tradução mais lida de Trevisan. Ele também traduziu Faulkner, Conrad e Apollinaire.

Verbete publicado em 18 de September de 2009 por:
Marlova Gonsales Aseff
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Excerto de "Os mortos", de James Joyce. Tradução de Hamilton Trevisan.

The dead

Os Mortos

Lily, the caretaker's daughter, was literally run off her feet. Hardly had she brought one gentleman into the little pantry behind the office on the ground floor and helped him off with his overcoat than the wheezy hall-door bell clanged again and she had to scamper along the bare hallway to let in another guest. It was well for her she had not to attend to the ladies also. But Miss Kate and Miss Julia had thought of that and had converted the bathroom upstairs into a ladies' dressing-room. Miss Kate and Miss Julia were there, gossiping and laughing and fussing, walking after each other to the head of the stairs, peering down over the banisters and calling down to Lily to ask her who had come.

Lily, a filha do zelador, estava literalmente esgotada. Mal acabava de conduzir um convidado à saleta atrás do escritório, ajudando-o a tirar o casaco, e a impaciente sineta da entrada tor¬nava a soar, obrigando-a a precipitar-se pelo corredor vazio para receber um novo hóspede. Ainda bem que não precisava atender as mulheres. Senhorita Kate e senhorita Júlia tinham pensado nisso e convertido em vestiário o banheiro de cima. As duas, em grande agitação, riam e tagarelavam sem parar, revezando-se a todo momento no topo da escada, de onde perscrutavam a entrada e perguntavam a Lily quem havia chegado.

It was always a great affair, the Misses Morkan's annual dance. Everybody who knew them came to it, members of the family, old friends of the family, the members of Julia's choir, any of Kate's pupils that were grown up enough, and even some of Mary Jane's pupils too. Never once had it fallen flat. For years and years it had gone off in splendid style, as long as anyone could remember; ever since Kate and Julia, after the death of their brother Pat, had left the house in Stoney Batter and taken Mary Jane, their only niece, to live with them in the dark, gaunt house on Usher's Island, the upper part of which they had rented from Mr. Fulham, the corn-factor on the ground floor. That was a good thirty years ago if it was a day. Mary Jane, who was then a little girl in short clothes, was now the main prop of the household, for she had the organ in Haddington Road. She had been through the Academy and gave a pupils' concert every year in the upper room of the Antient Concert Rooms. Many of her pupils belonged to the better-class families on the Kingstown and Dalkey line. Old as they were, her aunts also did their share. Julia, though she was quite grey, was still the leading soprano in Adam and Eve's, and Kate, being too feeble to go about much, gave music lessons to beginners on the old square piano in the back room. Lily, the caretaker's daughter, did housemaid's work for them. Though their life was modest, they believed in eating well; the best of everything: diamond-bone sirloins, three-shilling tea and the best bottled stout. But Lily seldom made a mistake in the orders, so that she got on well with her three mistresses. They were fussy, that was all. But the only thing they would not stand was back answers.

O baile anual organizado pelas Morkans era sempre um grande acontecimento. Todos os seus conhecidos compareciam: parentes, velhos amigos da família, membros do coro dirigido por Júlia, os alunos de Kate com idade suficiente e mesmo alguns alunos de Mary Jane. O baile nunca fracassara. Ano após ano, o mais remotamente que se pudesse recordar, realizava-se de forma esplêndida: a época em que Kate e Júlia, após a morte do irmão Pat, haviam deixado a casa de Stoney Batter e levado Mary Jane, sua única sobrinha, para morar com elas no enorme e lúgubre sobrado na ilha de Usher, cujo andar superior alugaram do senhor Fulham, dono da casa de cereais do andar térreo. Isto se dera há mais de trinta anos. Mary Jane, naquele tempo uma garotinha, sustenta agora a casa como organista em Haddington Road. Estudara no Conservatório e, todos os anos, apresentava um concerto de seus alunos no Ancient Concert Rooms. A maio¬ria deles provinha das melhores famílias que viviam em Kingstown e Dalkey. Apesar de idosas, as tias contribuíam com seu quinhão. Júlia, embora com os cabelos quase brancos, ainda era primeiro soprano da Igreja Adam and Eve e Kate, fraca demais para sair todo dia de casa, dava lições de música a principi¬antes, no velho piano quadrado da sala dos fundos. Lily cuidava da casa. Não obstante levassem vida modesta, gostavam de comer bem, de ter na mesa o que havia de melhor: lombo, chá de três xelins o pacote, e cerveja engarrafada de primeira qualidade. Lily raramente cometia erros e por isso vivia bem com as três patroas. Elas eram um pouco rabugentas, apenas isso. Contudo, uma coisa não admitiam: serem contestadas.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Joyce, James. Dublinenses. [Por: Hamilton Trevisan]. São Paulo: Civilização Brasileira, 1964.

Faulkner, William. O Urso. [Por: Hamilton Trevisan]. São Paulo: Nova Fronteira, 1970.

 _____. A árvore dos desejos. [Por: Hamilton Trevisan]. São Paulo: Círculo do Livro, 1971.

 Apollinaire, Guillaume. As onze mil varas. [Por: Hamilton Trevisan]. São Paulo: Escrita, 1982.

 Conrad, Joseph. O coração da treva.  [Por: Hamilton Trevisan]. São Paulo: Global, 1984.

Armstrong, Louise.  Freud para crianças. Vertente, 1979. Tradução de Hamilton Trevisan e Vera Nóbrega.

Obra própria

 

Trevisan, Hamilton. Brinquedo. São Paulo: Vertente, 1972.

Trevisan, Hamilton. O Bonde da Filosofia. São Paulo: Global, 1984.

 

 

Participação em antologia:

Nader, Wladyr. Isto o jornal não conta. São Paulo: Vertente, 1970.

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ISBN:   85-88464-07-1

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