Guilherme Gontijo Flores :: DITRA - Dicionário de tradutores literários no Brasil :: 
Dicionário de tradutores literários no Brasil


Guilherme Gontijo Flores

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Guilherme Gontijo Flores é natural de Brasília. É graduado/bacharel/licenciado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo, mestre em Estudos Literários (na área de Estudos Clássicos) pela UFMG e doutor em Letras Clássicas pela USP. É pesquisador e professor de Língua e Literatura Latina na Universidade Federal do Paraná.

Traduz do Latim, Inglês, Francês, Alemão, Espanhol e grego. Em 2006, iniciou seus estudos tradutórios durante a Graduação em Letras da UFES. Já nessa época, concentrou-se, sob a orientação do Prof. Dr. Raimundo Carvalho, na tradução de poesia, sobretudo romana. De 2006 a 2008, traduziu integralmente Propércio e os poemas de Rilke. Posteriormente, traduziu A anatomia da melancolia de Robert Burton, Paraíso reconquistado de John Milton, as Odes completas de Horácio, Gramofone, filme typewriter de Friedrich Kittler e Fragmentos de Safo, entre outras obras.

Suas pesquisas de mestrado e doutorado tratam de teoria e prática da tradução. O resultado da pesquisa no mestrado foi publicado em livro como posfácio das Elegias de Sexto Propércio. Quanto ao doutorado, resultou na obra Uma poesia de mosaicos nas Odes de Horácio: comentário e tradução poética, que está disponível na Biblioteca Digital da USP. Publicou diversos artigos em revistas acadêmicas e edita uma revista-blog dedicada à tradução, poesia e crítica:

<www.escamandro.wordpress.com>. Os dois teóricos que Guilherme mais dialoga, atualmente, são Haroldo de Campos e Henri Meschonnic. Dedica-se, além das traduções de obras, às implicações da performance oral na tradução e vice-versa.

Ganhou os seguintes prêmios:

  • 2013 - Prêmio APCA de Tradução, por A anatomia da melancolia.
  • 2014 - Prêmio Jabuti de Tradução, por A anatomia da melancolia.
  • 2015 - Prêmio Paulo Rónai de Tradução, da Biblioteca Nacional, pelas Elegias de Sexto Propércio.

Foi finalista nas seguintes premiações:

  • 2014 - Portugal Telecom por Brasa enganosa.
  • 2015 - Jabuti por Tróaides – remix para o próximo milênio.
  • 2016 - Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA por L'azur Blasé, ou ensaio de fracasso sobre o humor.

Verbete publicado em 19 de May de 2017 por:
Mara Gonzalez Bezerra
Andréa Cesco

Excertos de traduções

Excerto de Fragmentos completos, de Safo. Tradução de Guilherme Gontijo Flores.

Fragmento 31

Fragmento 31

φαίνεταί μοι κῆνος ἴσος θέοισιν
ἔμμεν᾽ ὤνηρ, ὄττις ἐνάντιός τοι
ἰσδάνει καὶ πλάσιον ἆδυ φωνεί-
    σας ὐπακούει

Num deslumbre ofusca-me igual aos deuses
esse cara que hoje na tua frente
se sentou bem perto e à tua fala
    doce degusta

καὶ γελαίσας ἰμέροεν, τό μ' ἦ μὰν
καρδίαν ἐν στήθεσιν ἐπτόαισεν·
ὠς γὰρ ἔς σ᾽ ἴδω βρόχε᾽, ὤς με φώναι-
    σ᾽ οὐδ᾽ ἒν ἔτ᾽ εἴκει,

e ao teu lindo brilho do riso — juro
que corrói o meu coração no peito
porque quando vejo-te minha fala
    logo se cala

ἀλλὰ κὰμ μὲν γλῶσσα <μ᾽> ἔαγε, λέπτον
δ’ αὔτικα χρῶι πῦρ ὐπαδεδρόμηκεν,
ὀππάτεσσι δ’ οὐδ’ ἒν ὄρημμ’, ἐπιρρόμ-
    βεισι δ’ ἄκουαι,

toda a língua ali se lacera um leve
fogo surge súbito sob a pele
nada vê meu olho mas ruge mais ru-
    ído no ouvido

κὰδ’ ἴδρως ψυχρὸς χέεται, τρόμος δὲ
παῖσαν ἄγρει, χλωροτέρα δὲ ποίας
ἔμμι, τεθνάκην δ᾽ ὀλίγω ᾽πιδεύης
    φαίνομ᾽ ἔμ᾽ αὔται·

ela-me a água e inunda-me o arrepio
me arrebata e resto na cor da relva
logo me parece que assim pereço
    nesse deslumbre

ἀλλὰ πὰν τόλματον ἐπεὶ †καὶ πένητα†

tudo é suportável se †até um pobre†

Voigt, Eva-Maria. Sappho et Alcaeus. Fragmenta. Amsterdam: Athenaeum/Polak & Van Gennep, 1971..

SAFO DE LESBOS. Fragmentos completos. [Por: Guilherme Gontijo Flores]. Introdução, tradução e notas de Guilherme Gontijo Flores. São Paulo: 34, 2017. (Sapphi fragmenta). Poesia.

Excerto de Elegias, de Sexto Propércio. Tradução de Guilherme Gontijo Flores.

1.1

1.1

Cynthia prima suis miserum me cepit ocellis,
    contactum nullis ante Cupidinibus.
Tum mihi constantis deiecit lumina fastus
    et caput impositis pressit Amor pedibus,
donec me docuit castas odisse puellas
    improbus, et nullo uiuere consilio.
Et mihi iam toto furor hic non deficit anno,
    cum tamen aduersos cogor habere Deos.

Cíntia, a primeira, me prendeu com seus olhinhos,
    um coitado intocado por Cupidos.
Então Amor tirou-me a altivez do olhar
    e esmagou minha testa com seus pés
até que me ensinou sem pejo a odiar
    moça casta e a viver em desatino.
Já faz um ano que o furor não me abandona
    e ainda sofro os Deuses contra mim.

Milanion nullos fugiendo, Tulle, labores
    saeuitiam durae contudit Iasidos.
Nam modo Partheniis amens errabat in antris,
    ibat et hirsutas ille uidere feras;
ille etiam Hylaei percussus uulnere rami
    saucius Arcadiis rupibus ingemuit.
Ergo uelocem potuit domuisse puellam:
    tantum in Amore preces et bene facta ualent.

Milânion, sem fugir das provações, ó Tulo,
    deu fim aos males da cruel Iáside.
Quando errava demente em cavernas Partênias
    e com as feras selvagens defrontava-se,
ferido pelo golpe do chifre de Hileu
    gemeu suas dores sobre as rochas Árcades.
Assim pôde domar essa veloz menina:
    tanto valem no Amor preces e feitos!

In me tardus Amor non ullas cogitat artis,
    nec meminit notas, ut prius, ire uias.
At uos, deductae quibus est fallacia Lunae
    et labor in magicis sacra piare focis,
en agedum dominae mentem conuertite nostrae,
    et facite illa meo palleat ore magis!
Tunc ego crediderim uobis et sidera et umbras
    posse Cytinaeis ducere carminibus.

Em mim um lerdo Amor não trama seus ardis,
    nem sabe mais seguir as velhas vias.
Mas vós, que o poder tendes de eclipsar a Lua
    e a arte de imolar em piras mágicas,
vamos, mudai o coração de minha dona
    e tornai-a mais pálida que eu!
Então crerei que vós sabeis reger os astros
    e as sombras com encantos Citineus.

Aut uos, qui sero lapsum reuocatis, amici,
    quaerite non sani pectoris auxilia.
Fortiter et ferrum saeuos patiemur et ignis,
    sit modo libertas quae uelit ira loqui.
Ferte per extremas gentis et ferte per undas,
    qua non ulla meum femina norit iter:

Ou vós, que tarde vindes levantar-me, amigos,
    buscai auxílio para um peito enfermo.
Com ardor suportarei ferozes ferro e fogo
    para ser livre na expressão da ira.
Levai-me por longínquos povos, pelas ondas,
    onde mulher alguma encontre o rastro.

Vos remanete, quibus facili Deus annuit aure,
    sitis et in tuto semper Amore pares.
In me nostra Venus noctes exercet amaras,
    et nullo uacuus tempore defit Amor.
Hoc, moneo, uitate malum: sua quemque moretur
    cura, neque assueto mutet Amore locum.
Quod si quis monitis tardas aduerterit auris,
    heu referet quanto uerba dolore mea!

E vós ficai, a quem o Deus é mais atento,
    e sempre partilhai Amor seguro.
A mim a nossa Vênus traz noites amargas,
    e nunca me abandona um vão Amor.
Aconselho, evitai meu mal! Que cada um cuide
    do costumeiro Amor sem permutá-lo.
Porém se alguém não der ouvido ao meu aviso,
    ah! com que dor trará minhas palavras!

FEDELI, Paolo (ed.). Propertius. Edidit P. Fedeli. Leipzig: Teubner, 1994.

PROPÉRCIO. Elegias de Sexto Propércio. [Por: Guilherme Gontijo Flores]. Introdução, posfácio e notas de Guilherme Gontijo Flores. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. (Prêmio Paulo Rónai da Biblioteca Nacional). (Sexti Properti Elegiarvm libri IV). Poesia.

Bibliografia

Traduções Publicadas

BURTON, Robert. A anatomia da melancolia. [Por: Guilherme Gontijo Flores] Notas de Guilherme Gontijo Flores. Curitiba: UFPR, 2011-13. 4 vols. (Prêmio APCA e Jabuti). (The Anatomy of Melancholy). Ensaio.

CALÍMACO DE CIRENE. Epigramas. [Por: Guilherme Gontijo Flores]. Introdução, tradução e notas de Guilherme Gontijo Flores. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. (Callimachi epigrammata). Poesia.

MILTON, John. Paraíso reconquistado. [Por: Guilherme Gontijo Flores (coord.), Adriano Scandolara, Bianca Davanzo, Rodrigo Tadeu Gonçalves e Vinicius Ferreira Barth]. São Paulo: Ed. De Cultura, 2014. (Paradise Regained). Poesia épica.

PROPÉRCIO. Elegias de Sexto Propércio. [Por: Guilherme Gontijo Flores]. Introdução, posfácio e notas de Guilherme Gontijo Flores. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. (Prêmio Paulo Rónai da Biblioteca Nacional). (Sexti Properti Elegiarvm libri IV). Poesia.

RILKE, Rainer Maria. As janelas, seguidas de poemas em prosa franceses. Edição Bilíngue, francês e português. [Por: Bruno D'Abruzzo e Guilherme Gontijo Flores]. Belo Horizonte: Crisálida, 2009. (Les Fenêtre e d’autres poèmes). Poesia.

RUSSO, Renato. The 42nd Street Band: romance e uma banda imaginária. [Por: Guilherme Gontijo Flores]. Organização de Tarso de Melo. São Paulo: Cia. Das Letas, 2016. (The 42nd St. Band). Romance.

SAFO DE LESBOS. Fragmentos completos. [Por: Guilherme Gontijo Flores]. Introdução, tradução e notas de Guilherme Gontijo Flores. São Paulo: 34, 2017. (Sapphi fragmenta). Poesia.

FLORES, Guilherme Gontijo et al (ed.). Por que calar nossos amores? Poesia homoerótica latina. Traduções de Guilherme Gontijo Flores, João Angelo Oliva Neto, João Paulo Matedi Alves, Leandro Dorval Cardoso, Marcio Gouvêa Jr., Raimundo Carvalho. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. Poesia.

 

Obra própria

Livros publicados

FLORES, Guilherme Gontijo. brasa enganosa. São Paulo: Patuá, 2013.

FLORES, Guilherme Gontijo. Tróaides – remix para o próximo milênio. São Paulo: Patuá, 2014/2015. Disponível em: <www.troiades.com.br>. Último acesso em 18 abril 2017).

FLORES, Guilherme Gontijo. l'azur Blasé, ou ensaio de fracasso sobre o humor. Curitiba/São Paulo: Ateliê/Kotter, 2016.

FLORES, Guilherme Gontijo. ADUMBRA. Curitiba: Contravento Editorial, 2016.

FLORES, Guilherme Gontijo. carvão: : capim. Lisboa: Artefacto Edições, no prelo.

Editor

FLORES, Guilherme Gontijo; SCANDOLARA, Adriano & BRANDÃO, Bernardo (eds.). escamandro #1: poesia, tradução, crítica. São Paulo: Patuá, 2014.

FLORES, Guilherme Gontijo; SCANDOLARA, Adriano & BRANDÃO, Bernardo (eds.). escamandro #2: poesia, tradução, crítica. São Paulo: Patuá, 2015.

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