Francisco Balthar Peixoto :: DITRA - Dicionário de tradutores literários no Brasil :: 
Dicionário de tradutores literários no Brasil


Francisco Balthar Peixoto

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Francisco Balthar Peixoto nasceu em 5 de junho de 1929 em João Pessoa, Paraíba. Em diversas oportunidades, a trabalho e em viagens de turismo, esteve na Espanha, em Portugal, em outros países da Europa e nos Estados Unidos. Na África, visitou Marrocos e Senegal.

Obteve, pela Universidade Federal de Pernambuco, os títulos de Bacharel em Direito (1954), de Bacharel em Letras Neolatinas (1957) e de Licenciatura em Didática (1958). Foi professor de Literatura Portuguesa da referida Universidade (1961-1983) e delegado do MEC em Pernambuco (1979-1983). Balthar reside, desde 1984, em Brasília. Aposentou-se e trabalha com revisão e/ou tradução de textos.

Traduz do francês e do espanhol e se considera também habilitado a traduzir textos latinos em prosa. Teve acesso às línguas no currículo dos estudos preparatórios do Seminário Arquidiocesano da Paraíba (1939-1945), onde fez sua formação básica. Pela tradução de Carmen, de Prosper Merimée, recebeu o Prêmio Monteiro Lobato como o melhor livro traduzido para jovens, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 1989. Além das traduções literárias, tem feito, para a UNESCO, traduções de textos técnicos, artigos e ensaios, principalmente sobre educação. Traduziu os contos clássicos da literatura infantil de Charles Perrault.

Verbete publicado em 18 de August de 2005 por:
Narceli Piucco
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Fragmento de A tulipa negra de Alexandre Dumas. Tradução de Francisco Balthar Peixoto.

Un accident

Le soir, Gryphus apporte à manger à son prisonnier. D'une main, il tient un plat, de l'autre ses clés et un pot à eau. Il ouvre la porte, entre se retourne, tombe et se casse le bras.

Cornélius fait un mouvement vers le gardien. Celui-ci crie : « Ne sortez pas ! » et il veut se relever... Il pousse un cri et se trouve mal. La porte de la prison est restée ouverte, et Cornélius peut fuir ; mais l'idée ne lui en vient même pas. Il oublie la méchanceté de l'homme et il le soigne.

La fille de gryphus a entendu le cri. Elle monte rapidement l'escalier et va voir son père couché sur le sol. Elle pense d'abord : « Mon père a trop bu comme d'habitude, il a frappé le prisonnier et celui-ci a répondu. » Mais elle comprend vite, lève des yeux humides vers le jeune home et lui dit : « Merci. »

Cornélius devient rouge et répond :

Cap. 10 A filha do carcereiro

À noite, quando Grifo trouxe comida para Van Baerle, ao abrir a porta da cela, escorregou na lage úmida do chão. Não conseguiu equilibrar-se. Caiu de mau jeito e quebrou o braço.

Van Baerle fez um ovimento para ajudá-lo. Ele gritou:

- Não se mexa! Não foi nada. E quis levantar-se, apoiando o corpo no braço, mas a dor no pulso era muito forte. Grifo deu um grito deu um grito e sentiu-se mal.

A porta da prisão tinha ficado aberta e Van Baerle podia fugir se quisesse. Mas ele nem pensou nisso. Já havia esquecido a maldade do homem e procurou socorrê-lo.

Rosa tinha escutado o barulho e ouvido o grito. Subiu correndo as escadas. Viu seu pai estendido no chão e Van Baerle curvado sobre ele. Como a filha conhecia bem a brutalidade do pai, achou que ele tinha batido no prisioneiro e que os dois tivessem lutado.

Logo, porém, compreendeu. Levantou os olhos para o jovem e lhe agardeceu.

Van Baerle ficou constrangido e disse:

- Je fais mon devoir, c'est tout.

- Não fiz mais do que minha obrigação, socorrendo meu semelhante.

- Vous avez déjà oublié ses méchantes paroles de ce matin. Merci encore, monsieur.

- Socorrendo meu pai disse Rosa -, o senhor mostra que já esqueceu as palavras grosseiras que ele lhe disse hoje de manhã.

Cornélius regarde la belle enfant, mais il n'a pas le temps de répondre. Gryphus revient à lui et dit:

Van Baerle observou a linda jovem, porém não teve tempo de responder. Grifo já voltava a si. Abriu os olhos e disse:

- Ah! Voilà! On se dépéche d'apporter le dîner d'un prisonnier, on tombe, on se casse le bras, et vous me laissez là sur le sol.

- Vejam como são as coisas. A gente vem trazer o jantar de um prisioneiro, cai, quebra o braço e ele o deixa no chão.

- Mon père, dit Rosa, vous n'êtes pas juste! J'ai trouvé ce jeune monsieur en train d'essayer de vous remettre le bras.

- Não fale assim, meu pai protestou Rosa. O senhor está sendo injusto. Eu o vi no momento em que ele tentava ajudá-lo a levantar-se.

- Lui? dit Gryphus.

- Ele? disse Grifo com ar de dúvida.

- Je peux vous guérir.

- É verdade confirmou Van Baerle -, e ainda continuo pronto para socorrê-lo.

- Vous? redemande Gryphus. Êtes-vous donc médecin?

- Você? admirou-se Grifo. Então, é médico?

- Je l'ai été. Mademoiselle, pouvez-vous me trouver deux étroites petites planches de bois et du linge?

- Très bien! Ça ne coûtera rien. Rosa, aide-moi à me lever.

- Foi a minha primeira profissão disse Van Baerle.

- Quer dizer que poderá curar meu braço?

- Com certeza.

- E de que precisa para isso?

- De duas talas de madeira e pedaços de tecido.

- Está ouvindo, Rosa? disse Grifo. O prisioneiro vai tratar de meu braço. Não terei de gastar com isso. Ajude-me a levantar. Sou pesado como chumbo.

Rosa présente son épaule au blessé. L'homme entoure le cou de la jeune fille de son bras et se met sur ses jambes. Il s'assoit sur le lit, puis il se tourne vers sa fille et lui dit:

- N'as-tu pas entendu? Allons! Dépêche-toi!

Rosa apporte les planchettes et le linge. Cornélius pousse la table vers le malade, met le bras à plat sur la table, pose les deux planchettes de chaque côté et serre le linge. Le gardien se trouve de nouveau mal.

- Allez chercher de l'alccol, mademoiselle, dit Cornélius, nous lui frotterons le visage et il se réveilera.

- Moça pediu Van Baerle veja se consegue o que é preciso.

- Com certeza respondeu Grifo. Não é difícil, Rosa. Apoiou-se no ombro da filha, passou o braço em volta de seu pescoço e firmou-se nas próprias pernas. Sentou-se no banco que Van Baerle tinha empurrado para perto dele e disse a Rosa:

- Você não entendeu? Vamos! Vá buscar o que ele pediu. Rosa desceu e, logo depois, trouxe as talas e o tecido.

Van Baerle estendeu o braço de Grifo sobre uma mesa, reajustou a fratura, colocou as duas talas, uma de cada lado, e envolveu-as com o tecido.

Outra vez, o carcereiro perdeu os sentidos.

- Veja se consegue vinagre, Rosa pediu Van Baerle. Nós esfregaremos nos lados de sua cabeça e logo ele ficará bem.

osa reste à sa place, regarde son père, s'avance vers Cornélius et lui dit:

Aproveitando que o pai estava desmaiado e com cuidado para que ele não a escutasse, Rosa voltou-se para Van Baerle e disse:

- Monsieur, vous nous avez rendu service, je veux vous rendre service à mon tour. Le juge doit vous voir demain. Il est venu aujourd'hui poser des questions et il a ri de vous savoir dans la chambre de monsieur Corneille de Witt. J'ai peur pour vous.

- Uma mão lava a outra. O senhor nos prestou ajuda e eu quero fazer alguma coisa em troca. Amanhã, o juiz deverá vir para o interrogatório. Hoje, ele veio fazer as perguntas e riu de maneira estranha quando soube que o senhor estava na mesma cela que De Witt ocupou antes de ser morto. Tenho muito medo do que lhe possa acontecer.

- Mais, que peut-il faire?

- Mas perguntou Van Baerle o que podem fazer contra mim?

- Vous voyez d'ice les corps de vos amis.

- Daqui o senhor vê os corpos de seus amigos observou Rosa.

- Mais je n'ai fait aucun mal.

- Mas eu não pratiquei nenhum crime.

Et eux, qui sont là-bas, pendus, coupés en morceaux, déchirés vivants, est-ce qu'ils ont fait du mal?

- E aqueles que estão lá embaixo, pendurados, cortados em pedaços, será que cometeram algum crime? perguntou ela.

C'est vrai.

- Você tem razão disse Van Baerle, apavorado.

Et puis, continue Rosa, tout le monde vous croit un méchant homme. Vous serez condamné: les choses vont vite maintenant.

- Além disso continuou Rosa -, todo mundo acha que o senhor também é culpado. Será condenado, e as coisas agora estão acontecendo depressa.

Et alors?

- E então? O que você está pensando? indagou Van Baerle.

Je suis seule, je suis faible, mon père s'est blessé tout seul, le chien est attaché, rien ne vous empêche de fuir.

- O que eu quero dizer é que eu estou sozinha. Sou fraca. Meu pai continua desmaiado, o cachorro está preso. Então, nada impede que o senhor fuja.

Que dites-vous?

- Como é mesmo? indagou Van Baerle.

Je n'ai pas pu sauver messieurs Corneille et Jean de Witt; mais je voudrais bien vous sauver, vous. Allons! Dépêchez-vous: mon père respire déjà mieux; dans une minute, peut-être, il ouvrira les yeux, et il sera trop tard...

- Eu não pude salvar meus irmãos De Witt, mas gostaria muito de salvar o senhor. Não perca tempo. Em minutos, meu pai pode abrir os olhos. Aí, será tarde demais.

Cornélius regarde Rosa. Il semble ne pasl'entendre.

Van Baerle olhou para Rosa. Parecia não ter entendido o que ela acabava de dizer.

- Ne comprenez-vous pas?

- O senhor não está compreendendo?

- Très bien. Mais je refuse: Vous seriez accusée de m'avoir aidé.

- Estou, sim. Mas não posso aceitar. Você seria acusada por ter ajudado.

- Je m'en moque.

- Não importa disse ela.

- Merci, mon enfant, reprend Cornélius, mais je reste.

- Obrigado, moça respondeu Van Baerle, mas eu fico.

- Vous resterez! Mon Dieu! Mon Dieu! N'avez vous pas compris: Vous serez condamné... condamné à mort, tué peut-être par le peuple et mis en morceaux comme monsieur jean et monsieur Corneille... Ne vous occupez pas de moi et fuyez cette chambre. Elle porte malheur aux de Witt.

- O senhor vai ficar? Meu Deus! O senhor não entendeu que vai ser condenado. E condenado à morte. Talvez, morto pelo povo e feito em pedaços, como aconteceu com seus amigos. Não se preocupe comigo e fuja desta cela. Ela trouxe a desgraça para os De Witt.

- Que foi? O que você disse? perguntou Grifo, desesperado. Quem está falando dos criminosos De Witt?

- Je n'ai fait aucun mal. J'attendrait mes juges.

- Não se importe, meu caro disse Van Baerle com ar de riso. Esquentar o sangue não faz bem à fratura.

Depois, disse em voz baixa a Rosa:

- Não pratiquei nenhum crime. Vou aguardar meus juizes com tranqüilidade. Sou inocente.

- Taisez-vous! Mon père se réveille. Il ne doit pas vous entendre parler.

- Meu pai está se levantando. Ele não deve desconfiar de que nós conversamos.

- Quel mal à cela?

- Que mal faz? disse o prisioneiro.

- Il m'empêcherait de revenir ici.

- Nunca mais deixará que eu volte aqui disse a moça.

Van Baerle ouviu a frase com um sorriso. Sentira um pouco de felicidade em sua desgraça.

- Que dites-vous? demande tout à coup Gryphus.

- Que é que os dois estão resmungando aí? perguntou Grifo.

- Le docteur m'explique comment vous soigner.

- Nada. O doutor acabou de me explicar como devo cuidar de seu braço.

- Allons! C'est assez! Vous ne devez pas entrer dans la chambre des prisonniers. Marchez devant moi et vite!

- Vamos! disse o carcereiro. Já está demais. Você não deve entrar na cela dos prisioneiros. E, quando vier, saia o mais rápido possível. Ande na minha frente. Depressa.

Rosa e Van Baerle olharam um para o outro.

Dumas, Alexandre. La tulipe noire. Adaptação de Pierre de Beaumont. Colléction Le français universel. Paris, 1991, pp. 42- 45.

Dumas, Alexandre. A tulipa negra. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. São Paulo: FTD, 2004, pp. 5155. (La tulipe noire). Tradução e adaptação de Francisco Balthar Peixoto.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Cockenpot, Marianne & Mattotti, Lorenzo. Eugênio. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. São Paulo: FTD, 1995. (Eugenio).

Dumas, Alexandre. A Tulipa Negra. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. São Paulo: FTD, 2004. (La tulipe noire).

Escobedo, Luiz G. Zargosa. "Leitura: Repertórios Básicos de Compreensão". [Por: Francisco Balthar Peixoto] In: Jornal da Alfabetizadora. n. 24, Rio Grande do Sul: Kuarup, 1993.

Merimée, Prosper. Carmen. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. São Paulo: FTD, 1989. (Carmen). Prêmio nacional Monteiro Lobato de melhor tradução para público jovem - 1989 - FNLIJ.

Perrault, Charles. Borralheira: o sapatinho de vidro. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. Porto Alegre: Kuarup, 1993. (Cendrillon).

Perrault, Charles. O Chapeuzinho Vermelho. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. Porto Algre: Kuarup, 1987. (Le petit chaperon rouge).

Perrault, Charles. Riquê do Topete. [Por: Francisco Balthar Peixoto]. Porto Alegre: Kuarup, 1991. (Riquet à la houppe).

Obra própria

Peixoto, Francisco Balthar. Redação na vida profissional. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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ISBN:   85-88464-07-1

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