Ana Maria César Pompeu :: DITRA - Dicionário de tradutores literários no Brasil :: 
Dicionário de tradutores literários no Brasil


Ana Maria César Pompeu

Perfil | Excertos de traduções | Bibliografia

Nascida na cidade de Uruburetama, interior do Ceará, em 05 de março de 1967, Ana Maria César Pompeu, graduou-se em Língua Portuguesa com suas respectivas literaturas pela Universidade Estadual do Ceará (1991), fez mestrado (1997) e doutorado (2004) em Letras Clássicas na Universidade de São Paulo. Ela também realizou um estágio pós-doutoral em Letras Clássicas (2010) na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Atualmente é professora associada da Universidade Federal do Ceará e tem experiência na área de Letras Clássicas, com ênfase em Teatro Clássico, atuando principalmente nos seguintes temas: Aristófanes, Comédia Antiga, Aristófanes e Platão, Pólis e Comédia, Justiça e Comédia, Mulher e Comédia, Crítica Literária em Aristófanes. Iniciou suas pesquisas na área de tradução através do estudo de grego clássico, a partir do Mestrado com o estudo e a tradução de Lisístrata. Esta tradução, parte de sua dissertação, ganhou o prêmio na categoria Tradução no II Festival Universitário de Literatura, sendo publicada posteriormente pela editora Cone Sul em 1998.

Ana Maria tem como área de atuação a tradução literária, especialmente da comédia antiga grega e do grego antigo para o português. Suas traduções baseiam-se especialmente na expressividade e na atualização do grego antigo para o português do Brasil atual, mas também na aproximação dos aspectos linguísticos e culturais da Grécia antiga; na manutenção dos versos e da primeira palavra de cada linha; na permanência dos termos históricos ou característicos da cultura grega; na versão dos nomes próprios, com relevância semântica para o enredo da peça, pela aproximação sonora dos termos no texto de partida; nas notas que referenciam e explicam as opções de tradução.

Quando está envolvida em traduções, seu método de trabalho é fazer uma primeira tradução para que se possa entender o que o texto diz, verificando as diversas possibilidades semânticas e etimológicas, quando aplicável, e depois a tradutora aperfeiçoa a expressividade, atualizando termos de acordo com a proposta de tradução.

Ana Maria escreveu, organizou e traduziu vários livros, e publicou diversos capítulos de livros e artigos em periódicos e anais de eventos. Realizou seis traduções, três das quais foram publicadas — uma delas por duas vezes: Lisístrata, de Aristófanes, foi desenvolvida durante o mestrado na USP, em 1997, e tinha sido publicada pela Editora Cone Sul, como Prêmio de um Concurso de Tradução promovido pela Revista Livro Aberto e Xerox, em São Paulo, em 1998. Nessa tradução em versos livres, ela apresenta a versão dos nomes próprios para o português: Lisístrata (Liberatropa), Calonice (Vencebela), Mirrina (Buquerina), Cinésias (Penétrias), entre outros. Posteriormente, esta tradução foi publicada novamente em 2010, pela Editora Hedra, acrescida de notas e com uma Introdução de Isabela Tardin. A editora, porém, não aceitou a versão brasileira dos nomes próprios, que voltaram ao grego: Lisístrata, Calonice, Mirrina, Cinésias.

Outra tradução de Ana Maria foi a obra Acarnenses, de Aristófanes, desenvolvida durante o estágio pós-doutoral em Coimbra, Portugal, em 2010. Esta tradução foi publicada pela Editora Appris, de Curitiba, em 2014, como parte do livro Dioniso matuto: uma abordagem antropológica do cômico na tradução de Acarnenses de Aristófanes para o cearensês. Realizada em versos livres, esta tradução apresenta uma versão matuta dos personagens do campo; os nomes próprios cujos sentidos são representativos também foram traduzidos: Diceópolis (Justinópolis), Lâmaco (Batalhão), Decertes de File (Vercertin da Tribo), Pseudártabas (Falsidâmetro).

Segundo a autora, em seu estudo, o falar matuto cearense consiste no uso de apenas uma marca do plural (os prítane), “tu” com o verbo na terceira pessoa (tu vai), na queda dos “erres” finais e substituição por acento na vogal anterior (aceitá, embaixadô); o mesmo procedimento vale para as terminações em -ou (falô), há a eliminação da sílaba inicial do verbo está (tô, tá), repetições de não, mudando a primeira forma (tu num tá vendo não), “home” por homem, o “lh” por “i” (muié por mulher, aio por alho), uso do diminutivo, substituindo -inho por -in (desse tamanhin), “pra”, “pros, pras” em vez de “para”, “para os” e “para as”, uso das interjeições características (oxente! Arre égua! Vixe!), ênfases (euzin aqui ó, abestaiadin, vô é batê na porta), “mermo” por “mesmo”, a queda do “l” final de algumas palavras (miserave por miserável, terrive por terrível), entonações características (Pense numa sacudida grande!). As alterações ou criações têm intuito expressivo, são intensificadores do sentido.

Outra tradução da autora é o texto Tesmoforiantes/Demetercoreantes, de Aristófanes, desenvolvida em projeto de pesquisa em 2001, e publicada pela Editora Via Leitura, em São Paulo, em 2015. Esta também é uma tradução em versos livres, com introdução e notas, e apresenta o mesmo estilo de Lisístrata.

Verbete publicado em 20 de August de 2016 por:
Bruna Ribeiro Longo
Kall Lyws Barroso Sales
Marie-Hélène Catherine Torres

Excertos de traduções

Excerto de Acarnenses, de Aristófanes. Tradução de Ana Maria César Pompeu

Δικαιόπολις

Justinópolis

ὅσα δὴδέδηγμαι τὴνἐμαυτοῦ καρδίαν,
ἥσθηνδὲ βαιά, πάνυδὲ βαιά, τέτταρα:
ἃ δ᾽ ὠδυνήθην, ψαμμακοσιογάργαρα.
φέρ᾽ ἴδω, τί δ᾽ ἥσθηνἄξιον χαιρηδόνος;
ἐγᾦδ᾽ ἐφ᾽ ᾧ γετὸκέαρ ηὐφράνθηνἰδών, 5
τοῖς πέντε ταλάντοιςοἷςΚλέωνἐξήμεσεν.
ταῦθ᾽ ὡςἐγανώθην, καὶ φιλῶτοὺς ἱππέας
διὰτοῦτοτοὔργον: ἄξιονγὰρἙλλάδι.

Tanta dô tem dispedaçado meu coração,
Alegria é pôca, bem poquinha, conto nos dedo;
Mas sofrimento é grão-centas-ruma-de-areia.
Dêxa eu vê qual foi uma alegria de deleite.
Já sei! Foi no dia q’eu fiquei veno e lavei a alma
Com aquele’ cinco talento que o Cleãobotôprá fora.
Vixe! Com’eubriei, e eu sô doido pelos Cavalêro
Por causa desse feito, do tamãe da Grécia.

Aristophanes. Acharnians. Edited with introduction and commentary by S.Douglas Olson. Oxford, 2002, p 32.

Aristófanes. Acarnenses. [Por:Ana Maria César Pompeu]. Curitiba: Letras Clássicas (USP), Appris, 2014, p 64. ( Ἀχαρνεῖς) Teatro.

Bibliografia

Traduções Publicadas

Aristófanes. Lisístrata. [Por: Ana Maria César Pompeu]. São Paulo: Letras Clássicas (USP), Cone Sul, 1998. (Λυσιστράτη). Teatro.

Aristófanes. Lisístrata. [Por: Ana Maria César Pompeu] São Paulo: Hedra, 2010. (Λυσιστράτη). Teatro. Tradução anotada.

Aristófanes. Acarnenses. [Por: Ana Maria César Pompeu]. Curitiba: Letras Clássicas (USP), Appris, 2014. Teatro.

Aristófanes.Tesmoforiantes/Demetercoreantes. [Por: Ana Maria César Pompeu] São Paulo: Letras Clássicas (USP), Via Leitura, 2015. (Θεσμοφοριάζουσαι ). Teatro.

Obra própria

Livros sobre tradução

Pompeu, Ana Maria César. "Apresentação e Notas" In: Lisístrata.. 1. ed. São Paulo: Hedra, 2010.

Pompeu, Ana Maria César. Aristófanes e Platão - A Justiça na Pólis. 1. ed. São Paulo: Biblioteca 24 Horas, 2011.

Pompeu, Ana Maria César. Dioniso matuto: uma abordagem antropológica do cômico na tradução de Acarnenses de Aristófanes para o cearensês. 1. ed. Curitiba: Appris, 2014.

Pompeu, Ana Maria César. "Apresentação e notas". In: Tesmoforiantes/Demetercoreantes. Letras Clássicas (USP), ed. Via Leitura. São Paulo, 2015.

Livros sobre cultura clássica

Pompeu, Ana Maria César. Aristófanes e Platão - A Justiça na Pólis. 1. ed. São Paulo: Biblioteca 24 Horas, 2011.

Pompeu, Ana Maria César; Brose; Robert de; Araujo, Orlando. Luís. (Org.). O riso no mundo antigo. 1. ed. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2012.

Pompeu, Ana Maria César; Brose; Robert de; Araujo, Orlando. Luís. (Org.). Identidade e Alteridade no mundo antigo. 1. ed. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2013.

Pompeu, Ana Maria César; Brose; Robert de; Araujo, Orlando. Luís. (Org.). Oralidade, Escrita e Performance na Antiguidade. 1. ed. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2013.

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ISBN:   85-88464-07-1

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